SUBPROJETO 1: OS IMPRESSOS CATÓLICOS COMO UMA ESTRATÉGIA DE INTERVENÇÃO NO DEBATE EDUCACIONAL – ADRIANA DUARTE LEON (DOUTORANDA – FAE/UFMG)

Neste estudo, investigamos as estratégias de atuação estabelecidas pela Igreja Católica, com objetivo de intervir no campo educacional, na primeira metade de 1930, no estado do Rio Grande do Sul/Brasil. Nacionalmente destaca-se uma série de articulações entre representantes do Estado e da Igreja Católica, o que culmina na Constituição de 1934. Buscamos aqui entender as tensões presentes neste processo e como a Igreja organiza sua intervenção tendo como meta retomar e/ou aumentar sua influência junto ao espaço educacional. Diversas foram as iniciativas da Igreja com objetivo de reorganizar-se internamente e disputar espaço social no início do século XX no Brasil. Contudo, para fins deste estudo, destacamos as disputas que tratam do campo educacional, explicitadas nos impressos católicos circulantes no RS. Os impressos são compreendidos aqui como uma construção discursiva que é parte constitutiva das práticas sociais. Nesse sentido os impressos são analisados como uma estratégia de intervenção da Igreja Católica com objetivo de ampliar seus espaços de influência. Por meio da análise inicial dos impressos é possível discorrer sobre algumas das intervenções da Igreja no campo educacional, dentre elas destacamos a ênfase na organização das redes sociabilidade, a constituição de um laicato católico e a constituição de novo lugar para a mulher, esses três focos estão relacionados e apresentam interconexões mediadas pelas ideias de modernidade em vigor na sociedade. A Igreja Católica assume um discurso vinculado ao desenvolvimento como estratégia de disputa do espaço social no país.


SUBPROJETO 2: A ESCOLA NORMAL DE SABARÁ – MINAS GERAIS (1882-1904) – ALEXSANDRA BORGES FERNANDES (MESTRANDA – FAE/UFMG).

A proposta é avançar na investigação sobre a história da Escola Normal de Sabará (Minas Gerais). Segundo Monarcha (1999, p. 93), as escolas normais passaram a ser representadas como as instituições normalizadoras e produtoras “das regras de conduta do professor em seus múltiplos aspectos – procedimentos didáticos, aspirações políticas, atuação profissional, comportamento público e privado”. Tais escolas passaram a ser vistas como responsáveis pela melhoria do ensino no Brasil, na medida em que ofereceriam à sociedade professores com preparo adequado ao exercício da docência. Fundamentando-me nesta argumentação e partindo do pressuposto da modernidade como processo de civilização, uma vez que a profissão docente passa a ser regulada dominantemente pelo Estado, o esforço da pesquisa será concentrado na compreensão de que a escola normal constitui-se como espaço de formação e, também, como espaço de socialização, onde ocorria o encontro de diferentes saberes e experiências, não deixando de considerar seus sujeitos e quais as especificidades desse espaço de formação, na cidade de Sabará, entre os anos de 1882 a 1904.


SUBPROJETO 3: A VIDA SOCIAL ACADÊMICA: AS SOCIABILIDADES ENTRE OS ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE DE MINAS GERAIS (1911 – 1936) – ALICE CONCEIÇÃO CHRISTÓFARO (DOUTORANDA – FAE/UFMG)

O projeto de uma universidade em Minas Gerais mobilizou diversos sujeitos no início do século XX e, dentre eles, os estudantes das faculdades de Direito, Medicina, Engenharia, Odontologia e Farmácia, Agronomia e Medicina Veterinária, as quais se aglutinaram na formação da Universidade de Minas Gerais (1927). Esta pesquisa se dedica a investigar as sociabilidades entre os estudantes dos cursos superiores que se instalaram em Belo Horizonte entre os anos de 1911 e 1936. Pretende-se analisar os discursos sobre o universo estudantil que circulavam nos jornais e revistas no recorte citado, para que se compreenda a vida social acadêmica e o espírito universitário. Os estudantes participavam ativamente da imprensa mineira, com publicações constantes em jornais tais como Estado de Minas, Diário da Tarde, O Correio, além de atuarem como criadores das revistas Semana Illustrada e Cidade Vergel. Ainda, foram encontrados os periódicos estudantis: A Urtiga, da Faculdade Livre de Direito, e o Semanário Humorístico A Caveira, dos alunos da Faculdade de Medicina. Os estudantes também atuavam nas seguintes associações estudantis: Fundação Affonso Penna, Fundação Barão do Rio Branco, Associação Universitária Mineira e Caixa do Estudante Pobre Edelweiss Barcellos, voltadas ao aprimoramento phisico, intelectual e moral dos que as compunham. O período analisado é marcado pelas tentativas de modernização do ensino superior brasileiro e pelo projeto de criação de uma universidade moderna em Minas Gerais. Acredita-se que a ambiência cultural, as tensões e as sociabilidades entre os estudantes foram fatores de forte influência na criação da UMG, além de contribuírem para a formação de uma elite intelectual mineira.


SUBPROJETO 4: O BRASIL PARA ESTRANGEIRO LER: A EDUCAÇÃO EM OBRAS PUBLICADAS SOBRE O BRASIL NOS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA (1900-1936) – PROF. LUCIANO MENDES DE FARIA FILHO (PESQUISADOR – FAE/UFMG), BRUNA MARINHO VALLE RORIZ (BOLSISTA IC – FAFICH/UFMG)

A proposta é identificar os modos como o Brasil é dado a ler a leitores latino-americanos não brasileiros, em livros publicados nos países da América Latina. Pretende-se capturar o interesse de autores estrangeiros em conhecer e dar a ver imagens do Brasil. Mais do que discutir a geopolítica latino-americana, interessa-nos deter na análise do lugar ocupado pela educação na produção das imagens e representações sobre o Brasil. Tais imagens permitem compor um quadro de luzes e sombras que contribuem para a construção das diversas de representações do Brasil que circularam na  América Latina na primeira metade do século XX.


SUBPROJETO 5: O IDEÁRIO DE MODERNIZAÇÃO E O PROJETO PARA ENSINO AGRÍCOLA EM MINAS GERAIS: DE FAZENDA-ESCOLA A ESCOLA MÉDIA DE AGRICULTURA DE FLORESTAL (1939-1955). BRUNO GERALDO ALVES (MESTRANDO – FAE/UFMG)

Esta pesquisa tem como tema o ensino agrícola em Minas Gerais, no período de 1939 a 1955, pensado enquanto produto de políticas públicas imersas em um ideário específico de modernização. Tal recorte temporal e espacial se dá a partir da trajetória de uma instituição que é inaugurada como Fazenda Escola de Florestal, em 26/04/1939, criada para ser modelar para o estado; depois, Escola Média de Agricultura até ser incorporada à Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, em 05/12/1955. Busca-se compreender como as práticas pedagógicas desenvolvidas na instituição relacionavam-se com os delineamentos de projetos e possíveis disputas institucionais locais e/ou nacionais, apontando para uma tentativa de alinhamento das expressões em torno do ensino agrícola a um projeto maior de modernização, dimensionando agências e agentes presentes neste campo de forças, para entender a própria concepção de educação rural que estava sendo construída. Baseada na perspectiva da história cultural e de seus desdobramentos, como a micro história e o conceito de cultura política, delineia-se a construção de uma metodologia que atenda às demandas apresentadas pelo objeto da pesquisa. Inserindo a problemática que envolve a educação rural mineira, o foco da análise aponta para o trabalho com fontes variadas localizadas nos acervos da referida instituição e do Museu Histórico de Pará de Minas/MG e nos relatos orais de funcionários e alunos que atuaram no período retratado, além dos discursos de autoridades e representantes dos fazendeiros de regiões distintas do estado que estavam presentes no evento de inauguração, trazendo para frente da cena historiográfica diversos sujeitos (professores, alunos e funcionários) e uma documentação referente à vida cotidiana e a cultura escolar.


SUBPROJETO 6: DO CONGRESSO AGRÍCOLA, COMERCIAL E INDUSTRIAL ÀS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS: DISCURSOS E PROPOSTAS SOBRE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL DAS ELITES PRODUTORAS MINEIRAS (1896-1906) – CAROLINA MOSTARO (DOUTORANDA – USP)

Este projeto de pesquisa propõe uma investigação sobre os discursos e propostas relativos à educação e à formação profissional, elaborados e veiculados pelas elites produtoras mineiras, na passagem do século XIX para o XX, estabelecendo suas articulações com o diagnóstico econômico e as propostas para o progresso de Minas Gerais e do Brasil. Para tanto, o Congresso Agrícola, Comercial e Industrial de 1903 será tomado como um núcleo a partir do qual a investigação pode e deve se expandir. Seria este o cenário da enunciação de um discurso (ou de discursos) sobre a educação e sobre a escolarização dos saberes profissionais, que provavelmente aparecem em outros espaços de associação e formação dessas elites mineiras, tais como as entidades associativas e a imprensa. Em 1896, surgiu a Associação Comercial de Juiz de Fora; em 1901, a Associação Comercial Mineira (em Belo Horizonte); em 1903, a Associação Comercial de São João Del Rei. Associações que, apesar da denominação, congregavam, além de comerciantes, agricultores e industriais. No Congresso Agrícola, Comercial e Industrial é possível identificar discursos sobre educação e formação profissional, articulados ao diagnóstico sobre a situação econômica e às propostas para o progresso do estado e do país, a partir dos quais a pesquisa pode ser direcionada a outros espaços de associação. A este propósito será investigada a documentação das Associações Comerciais até o ano de 1906, quando João Pinheiro assume a presidência do estado e dá início à implantação de diversas políticas públicas, inclusive para o ensino profissional, com base nas conclusões do Congresso de 1903.


SUBPROJETO 7: ENTRE O ENSINO PRIMÁRIO/SECUNDÁRIO E A UNIVERSIDADE: LÚCIO JOSÉ DOS SANTOS E A MODERNIDADE PEDAGÓGICA – MINAS GERAIS, ANOS 1920/1930 – DRª CLEIDE MARIA MACIEL DE MELO (FAE/UFMG).

No âmbito teórico-metodológico da história dos intelectuais, esta investigação pretende estabelecer as relações entre o ensino primário, o secundário e a universidade em Minas Gerais bem como suas particularidades, situando tais níveis de ensino na perspectiva da modernidade. Para esse fim, escolhe como ponto de partida para a entrada na pesquisa, a produção escrita de Lúcio José dos Santos registrada em três suportes distintos: o livro Missão universitária nos Estados Unidos (1930), suas publicações na Revista do Ensino (de 1925 a 1930) e seus artigos divulgados no jornal O Horizonte (de 1923 a 1930). Lúcio José dos Santos nasceu em Cachoeira do Campo, distrito da cidade de Ouro Preto, em 27 de julho de 1875. Faleceu em Belo Horizonte, em 09 de dezembro de 1944. De janeiro de 1888 até 1892, estudou Humanidades no Seminário de Mariana. Em 1900, formou-se engenheiro de minas e civil, pela Escola de Minas, de Ouro Preto. Por haver concluído o curso de Engenharia em primeiro lugar, foi premiado com uma viagem à Europa. De volta ao Brasil, em 1901, ingressou como professor na Escola de Minas. Em 1908, tornou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de direito de São Paulo. Em 1922, por concurso de títulos, foi nomeado professor catedrático da cadeira de Portos, Rios e Canais, na Escola de Engenharia de Belo Horizonte. Lecionou também em escolas de ensino secundário como o Liceu Mineiro, de Ouro Preto e o Colégio Arnaldo, de Belo Horizonte. No período de 1924 a fins de 1926 (ou início de 1927), foi Diretor de Instrução Pública na Secretaria do Interior do governo do presidente Melo Vianna e parte do governo de Antônio Carlos Andrada. Em 1929, foi o primeiro diretor da Escola de Aperfeiçoamento de Minas Gerais. De abril de 1931 a maio de 1933 dirigiu a Universidade de Minas Gerais, na condição de reitor.


SUBPROJETO 8: A GEOGRAFIA ESCOLAR NAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS DA PROVÍNCIA DE MINAS GERAIS NO PERÍODO DE 1854 A 1889 – DR EDUARDO JOSÉ PEREIRA MAIA (FAE/UFMG)

Este trabalho busca estudar a história da geografia nas escolas secundárias da província de Minas Gerais no período de 1854 a 1889. Trata-se de uma investigação para compreender o conhecimento geográfico escolar presente em Minas Gerais, e assim, contribuir para o debate sobre a geografia escolar brasileira. O objetivo é investigar uma questão central: como a geografia se constituiu como um saber escolar nas escolas da província mineira. No caminho desta investigação propus-me a entender o lugar da geografia, especialmente no que se refere aos seus conteúdos, na construção de uma sociedade letrada identificando as suas finalidades educativas (CHERVEL, 1990). Nesse caso, fez-se necessário identificar quais as finalidades educativas dos conteúdos da cadeira de geografia que estão para além da exigência dos exames preparatórios das academias do Império. Para esse desafio escolhi três focos de investigação: a primeira inquirição foi em relação à gênese dos conhecimentos escolares e como a escola produz as suas disciplinas de ensino. O segundo foco de investigação é com relação aos objetivos das disciplinas escolares. E a terceira preocupação foi com relação ao funcionamento das disciplinas, como estas são operadas e quais são os resultados de seu ensino.


SUBPROJETO 9: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (1949-1968) – DRª FABIANA VIANNA (FAE/UFMG)

Diferentemente do pensamento corrente nas primeiras décadas do século XIX – momento de organização do serviço de instrução pública em Minas Gerais – de que a escola pública supriria a falta de conhecimentos, de habilidades e de civilização da população do país, em meados do século XX, a percepção desta “falta” foi subsumida pela crença na possibilidade de aceleração do tempo histórico. Ou seja, caberia a instituições como a escola, segundo um ideário de modernização em circulação à época, encurtar de modo mais rápido e eficaz a distância entre um ideal de país e a situação real vivida pela população brasileira. No mesmo momento em que este ideário estava se constituído acontecia o processo de federalização da universidade de Minas Gerais. Considerando a construção de um ideário de modernização e o papel histórico desempenhado por essa universidade na formação de professores, interessei-me por investigar o debate realizado nessa instituição acerca dos cursos de licenciatura, entre o ano de sua federalização (1949) – ocasião em que ela passa a ser reconhecida como Universidade Federal de Minas Gerais – e de criação da Faculdade de Educação (1968) – espaço exclusivamente dedicado à capacitação de professores. O objetivo desta investigação, portanto, é compreender de que forma e em que medida aquele ideário de modernização chegou aos cursos de formação de professores oferecidos na Universidade Federal de Minas Gerais, ao longo daquelas duas décadas.


SUBPROJETO 10: LAS POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONALES SOBRE EL TRABAJO DOCENTE EN CHILE: ANÁLISIS DE LA CONFIGURACIÓN ESTATAL DE LA DOCENCIA DURANTE LA DICTADURA MILITAR (1973-2012) – FELIPE ZURITA GARRIDO (DOUTORANDO – FAE/UFMG)

Este Proyecto de Investigación se centra en el estudio de la acción legislativa del Estado de Chile sobre el Trabajo Docente durante el periodo de la Dictadura Militar. Este objetivo se alcanzará en la medida en que se puedan abordar las siguientes preguntas: ¿Cuáles han sido estas Políticas Públicas Educacionales? ¿Qué características han tenido? ¿Qué cambios y permanencias han posibilitado estas Políticas Públicas en el Trabajo Docente? ¿Qué actores/grupos desarrollaron/implementaron estas Políticas Públicas? ¿Cuáles fueron los fundamentos pedagógicos, políticos, históricos y filosóficos en que se apoyaron estos actores/grupos? ¿Cuál fue el papel de la violencia en este proceso?


SUBPROJETO 11: A CONSTRUÇÃO DOS DISCURSOS POLÍTICOS EDUCACIONAIS: SUD MENNUCCI E A RURALIZAÇÃO DO ENSINO – HENRIQUE DE OLIVEIRA FONSECA (MESTRANDO – UFMG)

A historiografia da História da Educação no Brasil tem dedicado muitos esforços nos estudos de temas educacionais que rondaram as primeiras décadas republicadas, destacando-se o período de 1920 e 1930. Nas pesquisas o tema mais candente e recorrente são análises relacionadas à disputa entre o movimento renovador da educação (atrelados ao Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova de 1932) e os pensadores católicos. A partir dessa constatação historiográfica, pretendo revisitar essa estrutura analítica através do estudo de um personagem não muito conhecido na nossa área. Sud Mennucci (1892-1948) o ator principal dessa trama, esteve presente nesse contexto reformista educacional, entretanto poucos foram os estudos que se debruçaram sobre a importância de suas propostas no cenário educacional. Através da perspectiva da História Intelectual e Política, utilizando-me da diversa produção bibliográfica de Mennucci e de sua participação em jornais e revistas, procuro traçar como ele esteve vinculado intimamente ao panorama educacional e como sua proposta representou uma via distinta tanto dos pioneiros, quanto dos católicos. Assim busco analisar a trajetória de Sud Mennucci, focando em suas alternâncias de posicionamento exibindo mais claramente as sinuosidades políticas, e principalmente, depois de 1930, quais foram às características de sua proposta educacional ruralista e qual foi sua importância no meio político-educacional.


SUBPROJETO 12: DO BACHAREL AO DOUTOR: EDUCAÇÃO NAS TESES DEFENDIDAS NA ACADEMIA DE DIREITO DE SÃO PAULO (1854-1889) – DRª ILKA MIGLIO DE MESQUITA (UNIT)

Nossa pesquisa tem como objeto de investigação as teses produzidas pelos bacharéis formados na Academia de Direito de São Paulo no século XIX, no período imperial, tendo como referência as questões educacionais nesses trabalhos. O estudo parte do interesse em problematizar a educação no período pós-independência política e construção do Estado nacional brasileiro. Notadamente pensar como os bacharéis em Direito sistematizaram seus argumentos e reflexões atribuídos à educação escolar como lócus de construção do ideário da cultura nacional sob os signos da razão em prol da civilidade. Quando propomos a conhecer projetos de Brasil na atuação desses sujeitos, estamos nos esforçando em pensar o intelectual e a educação e a compreender como esses se constituem em um tempo e espaço específico – sua formação intelectual na Academia de Direito de São Paulo. Assim, interessa-nos conhecer que temas, problemas orientaram a produção das teses produzidas/defendidas pelos bacharéis em Direito? Como os autores das teses operaram as relações entre ciência e ação política, tendo em vista as questões educacionais? Em que medida a produção intelectual das teses agregou ao debate sobre a modernidade? Como operaram as relações entre ciência e ação política no Império? Quais referências eles buscam para falar em educação? Qual o ideário de educação? Torna-se, portanto, essencial entender como esses sujeitos, pelos seus projetos e atuação intelectual, dialogaram com seus referenciais teóricos, construíram seus roteiros analíticos e como estabeleceram essa conexão para interpretação da realidade vivida, configurada na atuação desses nos campos intelectual, político e educacional.


SUBPROJETO 13: EDUCAÇÃO E MODERNIZAÇÃO NOS DISCURSOS E TESES DA PRIMEIRA CONFERÊNCIA ESTADUAL DO ENSINO PRIMÁRIO REALIZADA EM SANTA CATARINA – DRª IONE RIBEIRO VALLE (UFSC), DRª VERA LUCIA GASPAR DA SILVA (UDESC), SOLANGE APARECIDA DE OLIVEIRA HOELLER (DOUTORANDA – UFSC), RAQUEL DE ABREU (DOUTORANDA – UFSC), MARILIA GABRIELA PETRY (MESTRANDA – UDESC) E CAROLINA RIBEIRO CARDOSO DA SILVA (MESTRANDA – UDESC).

Para o presente trabalho, propomo-nos a direcionar o olhar para as atas da Primeira Conferência Estadual do Ensino Primário, realizada em Florianópolis no ano de 1927, com o objetivo de identificar “distâncias e vizinhanças”[1] entre os princípios, as finalidades e os meios e as ideias de moderno, modernidade e modernização. Tomamos as conferências do ensino, particularmente aquelas ocorridas em território nacional nas décadas iniciais do século XX, como lugar de produção de discursos sobre a escola primária e como fonte de inspiração e irradiação das grandes linhas de um projeto educacional para o Estado em seus princípios, finalidades e meios. Atendo-nos à Santa Catarina, nos discursos de sua Conferência é possível “identificar” noções de modernidade que têm fundado os diferentes projetos de escolarização postos em prática ao longo do século XX. Revisitando diferentes matrizes teóricas edificadas por pensadores clássicos e contemporâneos é possível tecer análises sobre três delas: A primeira matriz refere-se à diferenciação social, a segunda matriz diz respeito à racionalização e a suas ambiguidades e a terceira matriz aborda a condição moderna. Nesse quadro ganham força dois princípios de justiça social: a igualdade de oportunidades e a meritocracia escolar. São princípios que permanecem na base dos projetos de democratização da educação (conceito que define fins e justifica ações administrativas e pedagógicas diversificadas) e têm caracterizado – e distinguido – a escola moderna.


SUBPROJETO 14: TAVARES BASTOS E OS MANUSCRITOS SOBRE A INSTRUÇÃO NO IMPÉRIO (1866 – 1873) – DRª JULIANA CESÁRIO HAMDAN (UFOP)

O presente projeto pretende investigar as formas de inserção política do jurista alagoano Aureliano Cândido de Tavares Bastos[2] (1839-1875), no Brasil Império, sobretudo no que se refere à defesa da educação. A pesquisa pretende explorar um conjunto de documentos com cinco volumes manuscritos[3], ainda inéditos no suporte impresso, disponíveis em meio magnético no acervo da Biblioteca Nacional, articulando-os a diversas referências teóricas que possibilitam extrair do corpus documental, os significados atribuídos por ele à ideia de Instrução, articulados à ideia de progresso e à constituição do povo brasileiro. Nesse sentido, recorre a procedimentos que visam a articular criticamente a sistematização desse corpus aos conceitos que têm potencial explicativo dessas mesmas fontes, tais como o de “repertório” e “sociabilidade” extraídos da história social dos intelectuais, das ideias e da cultura, como ainda aqueles referidos às interpretações sobre a nação brasileira e o povo brasileiro. Estamos consideramos que a análise proposta sobre as interlocuções do intelectual com as ideias em circulação no período, investigadas por meio dos manuscritos, podem contribuir de forma expressiva para adensar as formas de utilização de conceitos e concepções que foram, ao mesmo tempo, compartilhados e combatidos. Para isso, investigaremos autores e personalidades políticas brasileiras e europeias, mas, sobretudo norte-americanas, elegidas pelo político e explicitadas nos manuscritos, como sendo a expressão mais bem acabada da modernidade exigida aos projetos de Brasil, presentes nos debates da época.


SUBPROJETO 15: RÁDIO E EDUCAÇÃO: UMA ANÁLISE HISTÓRICA – LEIDE MARA COTA (MESTRANDO – FAE/UFMG)

O presente estudo tem como tema a educação através do rádio em Belo Horizonte, especificamente da Rádio Inconfidência, durante a primeira década de sua existência. Criada no ano de 1936, com a função declarada de integrar o Estado de Minas Gerais, é uma das mais tradicionais emissoras do país que, desde sua criação, apresenta no conteúdo de sua programação, abordagens educativas.Oobjetivo desse trabalho é compreender as dimensões educativas que o Rádio, ícone da modernidade nos anos 30, procurou estabelecer nos seus primeiros formatos na capital mineira.A abordagem do rádio como um meio ou lócuseducativo parte da identificação de que as primeiras iniciativas da produção radiofônica apresentam o caráter educativo, sobretudo na figura de Edgard Roquette-Pinto com a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923. Nesse sentido, a educação por meio dessa mídia pode ser pensada como uma face de seu processo histórico e por isso potencial de análise crítica e interpretativa da História da Educação no Brasil.Aliado a um contexto amplo de desenvolvimento científico-tecnológico, divulgação científica e de uma abrangência de públicos antes nunca realizada, pretende-se inserir essa análise na ambiênciada cidade de Belo Horizonte. Apriori, pode-se definir tal espacialidade como um exemplo de modernidade e racionalidade, construída para representar a ruptura com o passado e a libertação do tradicionalismo. Nesse sentido, é importante compreender o contexto em que o rádio se firma como novidade na área da tecnologia da comunicação.Como fontes principais serão utilizados os documentos da Rádio Inconfidênciatais comorelatórios de pesquisa produzidos internamente; cronogramas de programação da Rádio, fotografias e demais documentos institucionais. Outras fontes elencadas para a pesquisa são os jornais “Folha de Minas”, “Minas Gerais”, “O Diário”, “Binômio” e “Diário de Minas”, além da “Revista Alterosa”. Através do Centro de Referência Áudio-Visual (CRAV) várias entrevistas de personalidades da Rádio mineira foram identificadasno Projeto de História do Rádio em Belo Horizonte. Por meio desse levantamento, percebe-se que há uma grande possibilidade de investigações e problematizações acerca desse meio em que a Educação se fez presente e ainda permanece.


SUBPROJETO 16: MODERNIZAR O CAMPO, MODERNIZAR A REPÚBLICA: UM DIÁLOGO ENTRE A TRADIÇÃO REPUBLICANA DE JOÃO PINHEIRO E OS CLUBES 4-S DE JOVENS RURAIS EM MINAS GERAIS – LEONARDO RIBEIRO GOMES (MESTRANDO – UFMG/FAE)

O projeto visa estabelecer os pontos de contato entre as tentativas de modernização da vida rural em Minas Gerais em dois momentos distintos: o final do século XIX com as ideias e medidas adotadas pelo político republicano mineiro João Pinheiro da Silva e a ações extensionistas desenvolvidas pela Associação de Crédito e Assistência Rural – ACAR-MG, via prática educacional não escolar junto aos jovens rurais, a partir de 1952, em torno de clubes juvenis, conhecidos como 4-S (Saber, Sentir, Saúde, Servir). Como uma primeira aproximação com o tema, a partir da leitura do livro organizado por Francisco de Assis Barbosa, intitulado Idéias políticas de João Pinheiro. Cronologia, introdução, notas bibliográficas e textos selecionados, pode-se inferir que o modelo que inspira o projeto de João Pinheiro é o modelo norte-americano de modernização, principalmente encarnado nas ações desenvolvidas desde as últimas décadas do século XIX, pelas escolas agrícolas. Tudo indica que João Pinheiro foi conhecedor da experiência de educação de jovens do meio rural norte-americano, exemplificados na experiência dos Four-H, criados no início do século XX. Desse modo, com a criação em 1952 do primeiro clube 4-S do Brasil, há uma continuidade da adoção de muitos dos pressupostos desenvolvidos por João Pinheiro, dando assim, prosseguimento à tradição republicana que buscou se desenvolver no meio rural mineiro. Tanto no Projeto de João Pinheiro quanto nos Clubes de jovens rurais observa-se o objetivo de levar ao homem do campo e ao meio rural, as chamadas virtudes republicanas, entendendo esse espaço, como de esperança e de realização da república a ser constituída.


SUBPROJETO 17: AURÉLIO PIRES: O INTELECTUAL E A EDUCAÇÃO PÚBLICA. –– PROF LUCIANO MENDES DE FARIA FILHO (FAE/UFMG), LUIZA MARQUES DE PAULA (GRADUANDA EM HISTÓRIA – FAFICH /UFMG)

Inserido dentro da área de história dos intelectuais, este trabalho tem como objetivo o estudo intensivo da trajetória de vida de Aurélio Egidio dos Santos Pires, sendo esse compreendido como um intelectual de maciça influência nos projetos político-educacionais em Minas Gerais no período que cerca o começo da República brasileira. Nasceu na cidade mineira do Serro em 1862 e faleceu no Rio de Janeiro, capital do país, em 1937. Em sua trajetória profissional destacamos as ocupações diretamente relacionadas ao elemento educacional, como Reitor do Ginásio Mineiro, diretor da Escola Normal Oficial e professor na Faculdade Livre de Medicina, todas em Belo Horizonte. Além disso, considerando que os papéis por ele exercidos não são desvinculados entre si, levamos em conta também sua atuação em cargos públicos, como diretor do Arquivo Público Mineiro e também sua carreira como jornalista. Ao trabalharmos com o arquivo pessoal do intelectual, sob a guarda do Arquivo Público Mineiro, consideramos toda a documentação nele presente não apenas como fonte, mas também como objeto de estudo. Nesse ponto, compreendemos o ato de “arquivamento de si” como expressão do moderno, atrelado à “escrita de si” executada por Pires em sua autobiografia publicada postumamente, “Homens e factos de meu tempo” (1939). Dessa forma, entendemos que o traço e a expressão moderna mais latente nesse trabalho, se encontra no estudo do fazer arquivístico e de escrita de si, da necessidade explicitada por Aurélio Pires de recolher, ressignificar, analisar e selecionar os fatos de seu passado. Concomitante a essa problematização, propomos a análise do que disse e fez Aurélio Pires e que está conservado em documentação presente em seu arquivo pessoal, como as crônicas que publicou em diversos periódicos, entendendo-os como testemunhos de uma época e como chave de compreensão sobre Pires e os homens que com ele dividiram o seu tempo, debatendo sobre educação, principalmente.


SUBPROJETO 18: POLÍTICA DE CONSTRUÇÃO NACIONAL E A EDUCAÇÃO DAS MULHERES: A PROPOSTA EDUCACIONAL DE LOPES GAMA NO JORNALO CARAPUCEIRO – DRª MARCÍLIA ROSA PERIOTTO (UEM)

A educação das mulheres constitui uma preocupação inalterável no pensamento de padre Miguel do Sacramento Lopes Gama, cujas ideias expôs no jornal O Carapuceiro (1832-1845). De teor religioso, a educação feminina não objetivava apenas prepará-las para a vida matrimonial e o cuidado dos filhos, mas fazer delas as difusoras primeiras dos princípios morais vistos como fundamentais à construção de uma sociedade erigida nos limites da ordem, e aderente àqueles conteúdos que a mantivessem inabalável aos conflitos sociais e garantissem a unidade territorial. Se a necessidade era preparar homens aptos ao exercício do bem público, amparadas as suas ações na observação da ordem e da liberdade e no respeito à nação, às mulheres cabia explicitamente educá-los para que cumprissem o papel de garantir ao Estado o liberalismo adequado ao progresso que modernizava as relações sociais, criando as bases para uma civilidade moralmente adequada ao tempo de transformações que tudo mudava, seja na esfera privada ou no espaço público. Moral e religião seriam então os conteúdos sem os quais a construção nacional não lograria efeito na constituição de uma sociedade moderna, progressista, mas, ao mesmo tempo, elitista e conservadora quando se tratava da defesa da propriedade e da administração do Estado. O estudo prevê identificar no jornal O Carapuceiro as causas primeiras da proposta educacional feminina e analisá-las considerando o contexto e os requisitos político-filosóficos fundamentais à construção da sociedade brasileira no século XIX.


SUBPROJETO 19: PROGRESSO E MODERNIDADE NAS REFLEXÕES SOBRE EDUCAÇÃO DE JOSÉ FRANCISCO DA ROCHA POMBO: NOVAS SENSIBILIDADES PARA UM NOVO HOMEM – DR. MARCUS AURÉLIO TABORDA DE OLIVEIRA (FAE/UFMG)

Se não é possível afirmar uma concepção educacional na obra de Rocha Pombo (1857-1933), não se pode negligenciar o peso que este intelectual deu ao tema da educação. Fosse pela imprensa, na sua obra didática ou na sua obra literária, além do pouco tempo que ocupou a tribuna parlamentar, Rocha Pombo sempre teve a educação no âmbito das suas preocupações mais acentuadas. Personagem de difícil apreensão, além de professor, dono de escola, de jornal e de tipografia, se destacou também como jornalista. No entanto, é reconhecido como historiador; para alguns, o historiador oficial dos primeiros anos da república brasileira, autor de relevante obra histórica e didática. Sua forma de produzir história o diferenciava, por exemplo, de Capistrano de Abreu, por sua ênfase em uma história a partir de fontes secundárias, o que lhe rende ainda hoje críticas dos historiógrafos. Por outro lado, tal como Manuel Bonfim, foi um dos poucos que se preocupou com a compreensão da História da América, título de um dos seus livros de menor impacto, o qual lhe abriu as portas da política em escala nacional. No seu horizonte a história poderia fomentar o investimento no progresso material e espiritual da humanidade, fim último do processo de formação, noção essa que o inscreve como um autor “moderno”. Como tal, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento de um sentimento de afirmação regional – paranaense – no âmbito da cultura nacional, em tensão com a realização de um “espírito” universal, que tinha como base a industrialização, o progresso e a educação universal e laica. Intui-se que nas suas obras é possível reconhecer o esboço de um novo homem, dotado de uma forma de sensibilidade que uniria esclarecimento, liberdade e desenvolvimento material. Para além dos clichês sobre a sua aproximação com o romantismo, me ocuparei neste estudo da relação entre educação e novas sensibilidades na obra desta personagem, marcadamente no que se refere à construção do homem de ação, laborioso e industrioso, dotado de autonomia e cultivador dos mais nobres desígnios da civilização – um homem de ação “cultivado” no permanente cuidado com o mundo.


SUBPROJETO 20: EDUCAÇÃO E ESTÉTICA NA ESPECULAÇÃO DE MARIO DE ANDRADE E SERGIO BUARQUE DE HOLANDA SOBRE A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE BRASILEIRA ENTRE 1920 E 1940 – DR. MARCUS VINICIUS CORRÊA CARVALHO (UFF)

O objetivo é estudar as trajetórias intelectuais e políticas de Mario de Andrade e Sergio Buarque de Holanda como polígrafos que marcaram a história social dos escritores brasileiros especulando sobre a formação da identidade nacional. O foco recairá sobre os anos de 1920 a 1940, observando não apenas a produção escrita deles nos diversos âmbitos em que ela se processou e nos diversos órgãos de difusão de ideias em que se inscreveu, mas também recairá sobre sua participação nas diversas instituições de cultura letrada de que fizeram parte e onde perpetraram sua ativa militância intelectual. A preocupação desta proposta será igualmente de estar atento às relações sociais de produção escrita desses escritores modernistas também no que diz respeito às suas interações com seus pares, delineando seus embates e debates tanto sobre projetos estéticos como educativos que dizem respeito ao Brasil e aos brasileiros. Para tanto, defino como intelectuais aqueles que leem, escrevem e difundem textos sobre o nacional, o popular e o moderno, sendo agrupados sob dois nexos identitários neste processo social de produção: um que define o modo operante dessas relações intelectuais, denominado de dinâmica de querelas; o outro, definido a partir dos parâmetros que informam a produção de ideias desses intelectuais, chamado de ambiente de reflexão romântico.


SUBPROJETO 21: EDUCAÇÃO, MODERNIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PARA INTELECTUAIS CATARINENSES – DRª MARIA DAS DORES DAROS (UFSC), DRª LEZIANY SILVEIRA DANIEL (UFPR), MARILÂNDES MÓL RIBEIRO DE MELO (DOUTORANDA – UFSC) E ELAINE APARECIDA TEIXEIRA PEREIRA (MESTRANDA – UFSC).

Como parte do movimento de modernização brasileira dos anos 1950 e 1960, em Santa Catarina anunciava-se a necessidade de uma administração pública planificada e racional, proposta que atribuía lugar de destaque ao papel da ciência e do planejamento na implementação e justificação das políticas de Estado. Uma preocupação específica com o desenvolvimento e a consolidação do campo educacional pode ser verificada, pois a modernização preconizada seria impensável se não levasse em consideração as condições de educação e de formação do povo. Nesta perspectiva, a pesquisa tem como foco mapear e compreender a educação, a modernização e o desenvolvimento no contexto catarinense e brasileiro das décadas de 1950 e 1960, a partir da análise das obras “Educação e Desenvolvimento no Brasil” (1960), de autoria de João Roberto Moreira e “Educação e Desenvolvimento em Santa Catarina” (1968), escrita por Sílvio Coelho dos Santos. Com o objetivo de perceber aproximações e distanciamentos entre as teses defendidas nas obras e autores citados, busca-se compreender a relação entre modernização e desenvolvimento, bem como o lugar e função atribuídos à educação neste processo, a fim de relacionar a temática à construção do pensamento social e do espaço público educacional brasileiro e catarinense.


SUBPROJETO 22: TRADIÇÃO E MODERNIZAÇÃO: MÁRIO CASASANTA E A EDUCAÇÃO EM MINAS GERAIS – DRª MARIA DO CARMO XAVIER (PUC/MG), DRª ANA AMÉLIA BORGES DE MAGALHÃES LOPES (UEMG), DRª MARIA DO CARMO DE MATOS (UEMG)

Por aproximadamente 50 anos, Mário Casasanta (1898-1963) participou como intelectual e homem público dos debates educacionais da educação mineira. Foi professor, pesquisador, escritor, advogado, promotor de justiça, inspetor de ensino, gestor de órgãos públicos. Esteve inserido numa rede de sociabilidades a partir da qual divulgou suas ideias e concepções sobre o homem e a vida social. Seu pensamento foi disseminado em livros e na imprensa periódica mineira, especialmente, na Revista do Ensino, na Revista Kritérion, nos Boletins do Centro Regional de Pesquisas Educacionais – CRPE em jornais como “O Estado de Minas” e “O Diário”, dentre outros. Estas fontes registram suas estratégias político-discursivas no amplo campo de debates que marcaram o projeto de modernização e desenvolvimento mineiro. Nesta pesquisa pretendemos examinar as circunstancias históricas, sociais e políticas (incluindo o contexto cultural e intelectual) da atuação de Mário Casasanta e interrogar a maneira como as noções de tradição e de modernização vieram à luz nos seus textos e discursos. A proposta de estudo sugere um ir além da interpretação histórica dos conceitos de tradição e modernização, o que se vislumbra é a “tradução” do sentido do moderno e da tradição, no pensamento de Mario Casasanta. Para tanto, pretendemos discutir a produção intelectual e o lugar político ocupado por Mário Casasanta considerando três eixos de análise: a sua atuação política entre os de 1920 e 1960, especialmente, como protagonista da Reforma do Ensino Primário e Normal (1927); a sua experiência no desenvolvimento de projetos culturais e na renovação pedagógica em Minas; o seu desempenho como pesquisador no campo da história da educação e do ensino da língua portuguesa. Com base nesse viés analítico busca-se contribuir para a elucidação dos conceitos de tradição e modernização tendo em vista o processo evolutivo desses conceitos e a paulatina aproximação dos mesmos da gama de significados nos dias atuais.


SUBPROJETO 23: EDUCAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO CAMARARIA E REDES DE SOCIABILIDADE NA CÂMARA MUNICIPAL DE SABARÁ/MG(1828 – 1889) – DRª MARILEIDE LOPES DOS SANTOS (FAE/UFMG)

O tema da pesquisa[4] é o pensamento educacional dos administradores municipais de Sabará/MG (1828 – 1889). O objeto investigado é a atuação dos vereadores na administração da Câmara Municipal de Sabará nesse período, e os debates sobre escolarização da população local.O objetivo geral da pesquisa é o de analisar as redes de sociabilidade entre os administradores da cidade de Sabará/MG e as implicações dessas redes na organização do espaço público e na condução dos processos educacionais da população local. Como objetivos mais específicos procuro identificar e analisar as matrizes de análise e o léxico utilizado pelos administradores municipais na leitura que fazem para explicar a sociedade existente e os meios de intervenção nesta; investigar os debates acerca da instrução, buscando apreender as implicações desses debates no cotidiano e no ordenamento da sociedade sabarense; analisar a experiência camarária enquanto espaço de debate do poder político local na relação com outras instâncias de administração, problematizando o lugar das Câmaras Municipais na cena pública e na estruturação do Estado brasileiro. O recorte temporal inicial 1828 tem como base a Lei de 1º de outubro desse mesmo ano que define as atribuições das câmaras municipais. O recorte final 1889 tem como orientação o fim do período imperial no Brasil. Para a análise do grupo de vereadores o estudo tem como referencial teórico a micro história e se aproxima da metodologia da prosopografia ou biografia coletiva, do debate em torno da opinião pública, das redes de sociabilidade e o poder local.


SUBPROJETO 24: A DOCÊNCIA MASCULINA EM TEMPOS DE FEMINIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO: GÊNERO E MODERNIDADE NO DEBATE SOBRE PROFISSÃO DOCENTE NA PARAHYBA DO NORTE – SEGUNDA METADE DO SÉC. XIX – DR MATHEUS DA CRUZ E ZICA (UFPB)

Pesquisas recentes têm apontado que o magistério feminino foi construído, ao longo da segunda metade do século XIX, com argumentações em torno, inclusive, de uma desqualificação masculina para o exercício dessa profissão. Nessa conjuntura história determinada, a imagem de uma pedagogia moderna emerge associada à figura feminina. Assim, coloca-se para nós, historiadoras e historiadores da educação, uma questão importante: de modo mais geral, quais foram as implicações, para o gênero masculino, da feminização do magistério? Tendo como referência essa pergunta principal, estabelecemos como objetivo desse subprojeto o de compreender as especificidades das relações que se estabeleceram entre as representações de gênero, docência e modernidade nos diferentes discursos sobre educação, produzidos e mobilizados na Parahyba do Norte, no decorrer da segunda metade do século XIX.


SUBPROJETO 25: MODERNIDADE PEDAGÓGICA E ESTATÍSTICA NA ESCOLA PAULISTA – DRª NATÁLIA DE LACERDA GIL (UFRGS)

Pretende-se analisar o modo pelo qual o discurso educacional se utilizou e se articulou às estatísticas escolares produzidas no estado de São Paulo entre 1889 e 1930. A partir do exame da documentação produzida pela administração estadual, sobretudo a Diretoria Geral da Instrução Pública, pretende-se localizar a argumentação que se baseia em dados estatísticos para discutir os problemas e avanços da escola paulista. O período em questão caracteriza-se pela proposição da escola seriada e introdução de métodos e procedimentos pedagógicos renovados, pelos quais se julgava ser possível ampliar o acesso à escolarização primária e garantir a qualidade do ensino. As estatísticas, por sua vez, usufruem, no mesmo momento, de crescente legitimidade como recurso racional e supostamente objetivo para a avaliação e condução das políticas educativas. A partir disso, interessa compreender de que modo esses elementos se associam para constituir a imagem da excelência da escola primária paulista. Se por um lado, é verdade que a modernidade pedagógica constitui-se em tema que vem sendo amplamente investigado na História da Educação, por outro, tem-se a evidência da raridade dos estudos que associam essa questão à análise sócio histórica das estatísticas, como se intenciona aqui desenvolver.


SUBPROJETO 26: MODERNIDADE PEDAGÓGICA E FORMAÇÃO DOCENTE NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO MINEIRA: O MOVIMENTO PELA ESCOLA ATIVA EM BELO HORIZONTE, POR VOLTA DE 1930 – MS. NELMA MARÇAL LACERDA FONSECA (SEEMG)

Esta pesquisa pretende compreender o significado da noção de pedagogia moderna implícita na política de formação de professores levada a efeito, pelo governo mineiro, ao final de 1920 e anos iniciais da década de 1930. A pesquisa buscará identificar os aspectos mais relevantes das medidas adotadas por essa política, elegendo como evento a criação da Escola de Aperfeiçoamento, na Reforma Francisco Campos e a implementação das ideias do movimento conhecido como Escola Nova, em Belo Horizonte. As fontes para este estudo encontram-se no Arquivo Alda Lodi, coleção do Museu da Escola “Professora Ana Maria Casasanta Peixoto”, um dos segmentos da Magistra – Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores, da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Neste arquivo, alguns documentos já foram identificados como portadores de elementos favoráveis à análise que nos propomos realizar. Entre tais documentos, terão centralidade neste estudo, o caderno de anotações das aulas da professora Alda Lodi, no curso de especialização do Teacher´s College, da Universidade de Colúmbia/EUA, relativo ao primeiro semestre de 1929 e o Relatório apresentado pela mesma à Direção e ao corpo docente da Escola de Aperfeiçoamento, em novembro de 1929. Algumas questões se colocam para aprofundamento neste estudo: que evidências tais documentos apontam sobre o que se pensava a respeito da chamada pedagogia moderna, no período? De que forma os termos moderno/ modernidade/modernização aparecem nesses documentos? Que elementos trazem para compreensão do significado do “novo” na educação primária? São reveladores da expectativa governamental sobre a política de formação docente escolhida, que optou pelo envio de professoras primárias ao exterior para cursar especialização? Qual o impacto dessa política nas transformações ocorridas na educação escolar, em Belo Horizonte, no período?


SUBPROJETO 27: IMPRESSOS UTILIZADOS PARA A INSTRUÇÃO NAS AULAS, OURO PRETO, PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX – RAQUEL MENEZES PACHECO (MESTRANDA- FAE/UFMG)

O presente subprojeto se refere ao objeto de pesquisa que está sendo estudado durante o Mestrado e guiado por uma grande questão: quais eram os impressos utilizados nas aulas em Ouro Preto na primeira metade do século XIX? A partir dessa pergunta, outros vários aspectos passam a ganhar relevância, como, por exemplo, os sujeitos e locais que estavam envolvidos com a elaboração, impressão e comercialização de tais impressos. Buscamos analisar também as razões da escolha pelos determinados impressos e não por outros, uma vez que, neste período, na província de Minas Gerais, ainda não existiam critérios estabelecidos pelo governo para a adoção do que, mais tarde, se chamou de “livro didático”. As fontes utilizadas para a pesquisa são os próprios impressos (quando possível); periódicos da época, tendo o jornal O Universal (1825-1842) como base; Leis e Regulamentos da Instrução; cartas, relatórios, listas de despesas e outros documentos. O levantamento bibliográfico realizado para tal pesquisa, aponta inúmeros autores e a discussão teórica é realizada, principalmente, por meio das ideias de Robert Darnton e Roger Chartier.


SUBPROJETO 28: O MODERNO TOBIAS BARRETO DE MENEZES – DRª RAYLANE NAVARRO (UNIT)

O século XIX responde pela maior transição política do país o que também representa mudanças em suas esferas social, cultural e educacional. A proclamação da República brasileira, o processo de laicização e tudo o que ele alavancou em termos de estruturação do ensino público no país foram senão frutos, mas consequências de uma série de ações de personagens da história do Brasil que pensaram, propuseram e por vezes implementaram modos de  ser e conceber o mundo a partir da noção de moderno. Tobias Barreto de Menezes, sergipano da cidade de Campos, foi uma dessas personagens que marcaram o Brasil Império e contribuíram com um projeto de nação voltado para a modernidade. Professor da faculdade de Direito do Recife e divulgador das ideias culturais alemãs no Brasil, Tobias Barreto, como ficou conhecido, foi também poeta, político e autor de vários livros que contemplam temas da filosofia, do direito e da crítica política social. Consta no rol dos intelectuais brasileiros por estar a frente dos intelectuais que compuseram o movimento intelectual da “Escola do Recife” e por encabeçar projetos que defendiam o liberalismo na política, a libertação de escravos e emancipação feminina, sendo este último tema de seu projeto de lei intitulado Paternogógio que primava pela defesa da escolarização feminina em nível superior. O que pretendo com essa pesquisa é compreender as bases de seu pensamento e consequentemente de seus projetos, pensando o Brasil a partir da Filosofia, do Direito e da Cultura.


SUBPROJETO 29: MODELOS ESTRANGEIROS: PROPOSIÇÃO DE UMA EDUCAÇÃO MODERNA EM MINAS GERAIS NO SÉCULO XIX – DRª RITA LAGES (FAE/UFMG)

A partir da proclamação da independência do Brasil, em 1822, manifesta-se por parte da intelectualidade política brasileira o projeto de modernização da sociedade, no qual a instrução é concebida como a principal mola propulsora. Nesse sentido, são engendradas novas configurações conceituais que se dão a ver a partir da circulação de novos modelos de organização escolar, entre os quais se destacam o francês e o norte-americano. Os projetos de construção da identidade e unidade nacional foram alimentados por referências ao mundo extracontinental, cenário no qual primeiramente a Europa é o espelho onde o Brasil tinha de se mirar, e depois os Estados Unidos, sobretudo a partir da década de 1870. Ao lado do exemplo de países como a França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Áustria, Holanda e Suíça, os Estados Unidos eram tomados como um paradigma para o campo educacional brasileiro. O objetivo deste trabalho é mostrar, portanto, quais são estes referenciais estrangeiros que se manifestam no plano dos discursos sobre instrução pública, produzindo nesse movimento, a proposição de uma educação moderna no Estado de Minas Gerais na segunda metade do século XIX. Para além das referências aos modelos estrangeiros, a atenção se volta também para os agentes que os promovem, que os constituem e os fazem difundir; nesse sentido, o ensino das línguas modernas – o francês e o inglês – tomam lugar central nas análises, visto que as línguas podem ser considerados como principais mediadores de acesso aos modelos estrangeiros. A base empírica e metodológica deste trabalho são as análises dos Relatórios de Presidentes de Província do Estado de Minas Gerais, produzidos na segunda metade do século XIX, preocupando-se em tornar evidentes não só a circulação, mas também a apropriação dos modelos estrangeiros.


SUBPROJETO 30: INDÍCIOS DE MODERNIDADE DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM A INSTRUÇÃO E A REPÚBLICA DE PRIMITIVO MOACYR – DRª ROSANA AREAL DE CARVALHO (UFOP), E RAPHAEL RIBEIRO MACHADO (MESTRANDO – CEFET/MG)

A modernização do Estado brasileiro foi meta do primeiro governo Vargas, que se ocupou de criar órgãos nas mais diversas áreas visando um melhor aparelhamento a fim de promover o desenvolvimento e a integração nacional. Em 1937 foi criado o Instituto Nacional de Pedagogia para, dentre outros fins, organizar a documentação relativa à educação brasileira e divulgar seus trabalhos. Seu funcionamento foi iniciado em 1938, quando teve o nome modificado para Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos – INEP. Entre 1941 e 1942, a Imprensa Nacional, sob a orientação do INEP dirigido por Lourenço Filho, publicou A instrução e a República de Primitivo Moacyr. Os trabalhos anteriores de Primitivo Moacyr abrangem o período imperial e as primeiras décadas republicanas, além de alguns estudos regionais, e trazem a marca da legislatura brasileira. A fonte principal para o período republicano foram os Annaes da Câmara de Deputados e outros documentos originados do Legislativo. A publicação de A instrução e a República coincide com a predominância do pensamento escolanovista, cuja linha interpretativa capitaneada por Fernando de Azevedo preconizava como moderno, como progressista, as ações republicanas em prol da educação brasileira, em oposição ao Império, visto como o período das trevas no tocante à instrução pública. Os elogios endereçados ao trabalho de Moacyr destacam sua pesquisa arquivística, tão ausente entre os estudiosos da educação brasileira. Tomando como objeto A instrução e a República, pretendo realizar uma leitura qualificada de forma a responder três questões básicas: 1) Quais as razões pelas quais essa obra foi acolhida pelo INEP? 2) Quais os subsídios de Primitivo Moacyr para o conhecimento da educação brasileira implementada nas primeiras décadas republicanas? 3) As legislações do período abordado por Moacyr carreiam indícios da “escola moderna” preconizada pelos republicanos?


SUBPROJETO 31: O CANTOR CRISTÃO COMO ESTRATÉGIA EDUCATIVA ENTRE OS BATISTAS BRASILEIROS – MS TACIANA BRASIL DOS SANTOS (FAE/UFMG)

Pretendo investigar como a Igreja Batista se valeu do hinário Cantor Cristão como estratégia educativa de seus fiéis, durante a primeira metade do século XX. A utilização de hinários é tradicional dentre os protestantes desde o tempo da Reforma. O hinário em questão é próprio do grupo da Igreja Batista, embora tenha recebido hinos e influências musicais de boa parte dos grupos cristãos reformados. É utilizado apenas no Brasil e, em primeiro momento, apenas em algumas as regiões. Este trabalho pretende contemplar a educação das maneiras de se sentir e se portar no mundo através da utilização deste hinário. Em uma investigação preliminar, foi possível contemplar uma tendência à americanização dos modos de ser e sentir-se, incentivando à adoção de padrões de temperamento, comportamento e sentimento diferentes dos tradicionalmente vivenciados pelos brasileiros. Também foi possível perceber que, embora a modernidade normalmente seja interpretada como um tempo de rejeição e desencantamento pela religiosidade e pelo sagrado, o Cantor Cristão expressa um incentivo à busca por um relacionamento mais íntimo e pessoal com o sagrado.


SUBPROJETO 32: EMERGÊNCIA DO INSTITUTO HISTÓRICO EM CAMPINA GRANDE NA PARAÍBA: INTELECTUAIS, ESCRITOS E FORMAÇÃO DA MEMÓRIA, 1940 – 1950 – VANESSA COSTA DE MACÊDO (DOUTORANDA – FAE/UFMG)

Nosso objetivo está centrado na criação do Instituto na década de 1940 em Campina Grande e na forma como agregou, em torno de uma prática institucional, intelectuais à época. Buscamos entender os caminhos que fizeram com que estes intelectuais mobilizem a si mesmo, através de uma sociabilidade intelectual, saberes e escritos e atribua novas finalidades dentro de um projeto de memória de formato institucional. Buscamos acompanhar, portanto, a emergência do Instituto Histórico enquanto conjunto de práticas e compreensões em torno da formação da memória e da escrita da história e em como a estas ideias foram crescendo dentro da sociabilidade destes homens, transformando os lugares a que pertenciam e atribuindo novas finalidades. Para isto que buscamos compreender como se dá esta sociabilidade intelectual dentro do espaço urbano da cidade através do universo de escritos produzidos, uma vez que entendemos que a atividade intelectual está diretamente relacionada à cultura escrita e a transmissão de conhecimento. Separamos em torno desta sociabilidade um conjunto de produções que sofreram transformações de sentido e distribuição ao longo da sedimentação de saberes sobre a história da cidade. Estas dimensões nos ajudarão a compreender as razões que levaram uma comunidade intelectual a se organizar institucionalmente dentro de um modelo organizacional de Instituto Histórico e a criar novos significados para a história da cidade, seja através de uma prática discursiva, seja através do tratamento empreendido no corpo material de escritos que circularam dentro desta organização. Os escritos que compreendem o universo documental de nossa pesquisa são compostos pelo catálogo de obras de circularam entre estes intelectuais, sejam elas produzidas pelos próprios intelectuais; e também por impressos de jornais. Além da volumosa documentação de atas de reunião para criação do Instituto, relatórios e o regimento interno. Nosso desafio está em acompanhar a dinâmica de produção, encaminhamentos e apreensões dos saberes que circularam entre estes intelectuais com o propósito de compreender como se dá a emergência do Instituto Histórico caracterizando o desafio de formação da memória por parte de uma representação institucional.


SUBPROJETO 33: O IDEÁRIO EDUCATIVO MODERNIZADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS (1892-1920) E AS REPRESENTAÇÕES SOBRE O TRABALHADOR – DRa. VERA LÚCIA NOGUEIRA (UEMG)

A pesquisa objetiva analisar o processo de produção do ideário educativo modernizador de Minas Gerais, com vistas a apreender as representações sobre os trabalhadores, que foram construídas pelos discursos proferidos no Congresso Legislativo Mineiro e no Executivo durante a produção da legislação educacional relativa à política de instrução primária do trabalhador mineiro. Busca-se conhecer o modo como a elite política e intelectual concebeu e configurou a política de instrução primária destinada aos operários mineiros, na virada do século XIX até as três primeiras décadas da República, a partir dos debates promovidos e realizados no âmbito do legislativo e do executivo, com objetivo de promover o reordenamento das relações de trabalho, bem como a reconstrução do sentido que lhe era intrínseco, por meio de um processo de positivação, ressignificação e de valorização, que, ao final, levaria à invenção do novo sujeito trabalhador e à construção de uma nação civilizada, por meio do processo de escolarização.O que estava em jogo, nesse momento, era a construção de um projeto político-econômico capaz de transformar a “grande e instável população” em mão de obra adequada para o trabalho da terra, o que somente aconteceria, para muitos, por meio da educação. Embora não consensual, pois havia os defensores da aprendizagem que se daria no próprio trabalho, a defesa da instrução primária ganhou força no Congresso Mineiro resgatando muitas das ideias que já permeavam,desde meados dos oitocentos, o pensamento das elites mineiras relativo à formação pela via da instrução. Os discursos são aqui considerados como portadores e constituintes de uma representação de sociedade, de sujeitos, de estratégias, enfim, de uma realidade social.

São fontes desta investigação, as leis e os decretos, os Anais do Congresso Legislativo Mineiro, as Mensagens dos Presidentes, as correspondências expedidas e recebidas pela Secretaria de Estado do Interior, dentre outros. O diálogo se fará com as contribuições da História da Educação, Cultural e Política, seja no uso de seus conceitos ou nas recomendações para o trato das fontes documentais.


[1] Apropriamo-nos aqui da expressão cunhada por Denice Catani, na intenção de utilizá-la como apoio teórico-metodológico no desenvolvimento dos trabalhos. A reflexão da autora está registrada no texto “Distâncias, Vizinhanças, Relações: Comentários sobre os estudos sócio-histórico-comparados em educação” publicada no livro “A Difusão Mundial da Escola” organizado porAntónio Nóvoa e Jürgen Schriewer (Lisboa: Educa, 2000: pp. 143-150).

[2] “Aureliano Cândido Tavares Bastos nasceu a 20 de abril de 1839, na cidade de Alagoas, (na época capital da Província de Alagoas), hoje Marechal Deodoro. Morreu em 3 de dezembro de 1875, em Nice, no sul da França. Era filho do Bacharel José Tavares Bastos e de Rosa Cândida de Araújo. Tavares Bastos fez os primeiros estudos com o pai entre 1846 a 1850.” (SOUZA, 2006, p. 1).

[3] Os manuscritos de Tavares Bastos estão disponíveis em microfilmes na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. As notas estão em 5 cadernos por meio dos quais as suas proposições para a educação são apresentadas e argumentadas como subsídios para o debate parlamentar ou ainda para a publicação em periódicos da época. O conteúdos dos CD’s contendo as imagens dos 5 volumes dos manuscritos sobre a instrução já estão em fase de transcrição.

[4] A pesquisa é fruto do doutorado realizado sob a orientação do professor Dr. Luciano Mendes de Faria Filho.