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Potencialidades educativas das paisagens da APA Sul

Vagner Luciano de Andrade
Ludimila de Miranda Rodrigues Silva (*)

 

Considerando-se que o Estado e a municipalidade educam para a preservação dos diferentes patrimônios culturais e naturais legitimando ações conservacionistas para a coletividade, a educação básica deve preparar os estudantes para fazerem leituras enunciadas de suas paisagens escolhidas construindo assim uma identidade para com o patrimônio. Neste contexto, é notável que o turismo educa através de atividades/programas educativos atrelados ao meio ambiente relevantes para consentir e/ou capacitar distintos observadores e leitores. Assim, a temática deste texto retrata o emprego da leitura de paisagens como instrumento educacional na conjuntura do patrimônio cultural representado pela serra do Rola Moça, região da APA (Área de Proteção Ambiental) Sul. Destaca-se nesta serra, a existência de atividades educativas e ações turísticas desenvolvidas na área de propriedade do IEF-MG. Objetiva analisar potencialidades, trabalhando conceitos, e desenvolvendo ações, a partir do conteúdo residual das paisagens selecionadas, utilizando-se de diferentes metodologias pedagógicas da Ecologia, da Geografia e da História.

Fonte: https://factsreports.revues.org/docannexe/image/1536/img-7-small580.jpg

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) incluem a percepção, leitura e interpretação da paisagem nas ações educacionais sugeridas para o Ensino Fundamental. Quando se empreende uma saída a campo, busca-se aferir entre os discentes aspectos relativos à percepção, interpretação, descrição, reflexão e à reconstrução das paisagens observadas, que se diferenciam em função das características pessoais e trajetórias existenciais de vida. O referencial teórico da paisagem, aplicado à educação e ao turismo, permite múltiplas interfaces com o patrimônio cultural e natural. O patrimônio cultural e natural e sua paisagem respectiva como objeto de interesse turístico, materializa experiências de bem-estar, conhecimento histórico, formação cultural e de lazer.

O Parque Estadual da Serra do Rola Moça, criado em 27/09/1994, se efetiva verdadeiramente como mecanismo de preservação das paisagens do Quadrilátero Ferrífero – QF. A área faz parte do alinhamento montanhoso que se inicia na Serra da Piedade, passa pela Serra do Curral e termina na Serra de Itatiaiuçu, marcada pela “canga” e pela erosão diferencial. Aqui, a formação da mata atlântica, denominada floresta estacional semidecidual, predomina a leste e sul, principalmente em áreas de drenagem e vales, oferecendo à população da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) consideráveis mananciais de abastecimento público. Já a oeste e norte, a ocorrência é de cerrado strictu sensu, campo-cerrado, cerradão e os campos rupestres específicos das áreas de “canga”, um ecossistema incomum em substrato rochoso com ocorrência de metais pesados, onde a rocha exposta chega a 72o graus devido à constante exposição solar, associadas a diferentes temperaturas e variações bruscas do dia para a noite.

Fonte:  https: http://www.verdeminas.com/?p=173

Neste ambiente aparentemente hostil desenvolvem-se espécies adaptadas, como bromélias, canelas-de-ema, cactos e orquídeas, muitas delas endêmicas, ou seja, inexistentes em qualquer outro lugar do mundo. Um prato cheio para aulas “in loco” nas áreas de biologia, com vivências significativas em botânica, ecologia e zoologia. Acessível a partir do bairro Jardim Canadá, no município de Nova Lima (MG), o Parque, originariamente com 3.900 hectares abrange parte de quatro municípios, sendo atualmente uma importante unidade que preserva diferentes tipologias de vegetação (matas, campos e cerrados) cujo entorno é marcado pela predominância de atividades humanas, em áreas residenciais e comerciais. O parque apresenta altitude média de 1.450 metros favorecendo a contemplação paisagística através de inúmeros mirantes, ocorrência de seis importantes mananciais, ecossistemas associados à vegetação campestre (campos e cerrados), matas de galeria e matas de encosta.

O principal Mirante, o Morro dos Veados, uma área de “canga” devastada, lateral a outra área em regeneração, potencializa múltiplas percepções, sendo possível visualizar vários bairros e a Petrobrás. Na área da BR-040, a partir do viaduto da Mutuca, a mineração rodeia e pressiona as áreas protegidas pela APA Sul. Atravessando o parque destaca-se na paisagem a pavimentação da rodovia, algo proibido dentro de Unidades de Conservação, financiada totalmente com dinheiro dos condôminos de Casa Branca, região do município de Brumadinho. Dentro desta questão, inúmeros problemas foram criados como o atropelamento de animais silvestres, desrespeito aos limites de velocidade e o isolamento da fauna em decorrência do aquecimento do asfalto. A serra então divide “dois mundos”: de um lado, bairros dormitórios do Barreiro e Ibirité e do outro, imponentes condomínios fechados projetando a constante “mercantilização da natureza”. Indiscutivelmente, o parque e o Quadrilátero Ferrífero são Áreas de Extrema Importância ecológica ao Sul da RMBH que se instrumentalizam como protetores de paisagens educativas singulares. Sua aplicação pedagógica enriquece os conteúdos de geografia, historia e biologia se caracterizando como um diferencial na educação básica.

 

(*) Doutoranda em Geografia pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais com linha de pesquisa em Patrimônio e Paisagens Culturais

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