Menu
Dalvit Greiner De Paula – Pare De Correr Na Esteira – Thiago Rosado – Crise Na Educação

Pare de correr na esteira

Dalvit Greiner de Paula

E vá correr na rua. Hoje vou de Criolo! Isso mesmo: Pare de correr na esteira. Como o ratinho branco de laboratório, muitas vezes temos corrido na esteira. Gastamos todas as nossas energias e não produzimos nada. Ficamos passivos, aguardando o experimento que farão conosco. Perde-se tempo e energia. E assim nos vimos comportados enquanto outros protestam: gastamos energia no feicibuque e no insta como ratinhos de laboratório. Descartáveis. Porém, é hora de ir para a rua!

Insisto muito com meus alunos e alunas: não me interessa se não aprenderem a História do livro didático. Isso é o de menos. O que precisam mesmo é aprender a ler. Se aprenderem a ler, a leitura da História será apenas um objeto a mais que será lido. E aí o mundo já será maravilhoso, porque o livro será questionado. Será um mundo de letrados, alfabetizados funcionais que saberão procurar a verdade, mesmo sabendo onde ela não está, mesmo sabendo que talvez não a encontrem. Ninguém sabe onde está a verdade, porém quem lê tem mais chance de se aproximar dela. É nisso que insisto!

Por que insisto na leitura? É nossa arma! Isso já foi dito por aqui várias vezes. É a nossa alma! A importância da leitura do mundo (bem freiriano!) é fundamental num mundo de virtualidades que tentam se passar por realidades cotidianas. Vivemos num mundo de mentiras que aliena grande parte dos brasileiros que passaram a viver de informações não verificadas. E a credibilidade desse mundo virtual de internet não é questionada. Quantidades de bilhares (biliares) de likes são transformados em verdades. Tudo muito descartável.

Minha leitura tem preferido o rap ao sertanejo. O muro à galeria. O repente à bossa nova. O Chico Buarque à Maiara/Maraísa. Com os primeiros tenho visto e ouvido a história de um povo que não é acovardado, que se rebela. Que não foge à luta. Dá um boi e fica atento, mas não evita. Se preciso, entrega a boiada. Nossa história mátria é cheia de exemplos de atitudes do povo contra aqueles da história pátria. Uma História pátria feita por vencedores sempre mentiu ou omitiu a história de grandes heróis do povo, anônimos que resistiram e resistem no Brasil e no mundo. Desde o índio assassinado até o operário negro em greve neste dia.

É preciso uma outra narrativa. E a outra narrativa desse Brasil está nas ruas. No repertório das ruas: o cartaz, a faixa, a passeata, o grito, a cor, o gesto, o choro, o riso, a greve. Essa narrativa feita por um povo de verdade é de verdade! Ali, qualquer fantasia tem uma mensagem explícita. Não tem a intenção de esconder nenhuma realidade. A liberdade de pensamento e expressão são verdadeiras: não é uma liberdade para expressar informações falsas. É uma liberdade que se vê nos olhos.

A outra narrativa nos diz que não é essa Reforma da Previdência que queremos. Queremos uma reforma que inclua mais pessoas necessitadas; que melhore a qualidade de vida daqueles que realmente precisam. Que cobre de quem deve e pague a quem de direito. Queremos uma luta anti-corrupção que puna sem desrespeitar as pessoas, sem descumprir a lei. Queremos uma Auditoria da Dívida: não é possível que um único setor da economia, estou falando dos bancos, ganhe com a pobreza de uma nação inteira. A outra narrativa que se quer é a da dignidade da pessoa humana em todos os aspectos.

Portanto, é hora de encher as ruas de verdade! Então, algumas tarefas: olhe para frente e procure o seu deputado ou vereador; procure seu senador. Olhe para os lados e verá que tem gente de tudo quanto é jeito: cor, cabelo, orientação sexual, idade, nacionalidade. Abrace todos e todas! É hora de estarmos o mais junto possível. Cante, pule, grite, agite! É um 14 de junho com outra narrativa. A narrativa popular.

Para quem sabe ler, um cidadão é letra! Milhares são um livro!


Imagem de destaque: Thiago Rosado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *