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Parabéns, JP. Belo editorial. Insuficiente, no entanto

Carlos Henrique Tretel

Não leio jornais. Há muitos anos deixei de assiná-los por considerar inadequada a estratégia de que se valem  para cobrir o tema educação, desconsiderando instâncias importantes que deliberam sobre os assuntos da área, os fóruns e conselhos de educação. Motivo parcial de pouco ou nada sabermos, aliás, sobre o plano de educação de nosso Estado de São Paulo que, segundo noticiam as páginas do FNE, se encontra em processo de construção. O que aliado ao fato de não contarmos em São Paulo – tal qual disponibilizado ao povo de Mato Grosso do Sul – com um site do Fórum Estadual de Educação-FEE-SP, deixa-nos quase que completamente desinformados sobre o assunto.   

Por essas e outras, não leio jornais. Tendo me deparado, no entanto, com o editorial do JP intitulado PROFESSORES ESTADUAIS EM GREVE, de sua autoria, Ude,  venho pelo presente, antes de tudo, parabeniza-la. E confessar que, depois de lê-lo, quase liguei para a central de assinaturas para me tornar leitor novamente do JP. Mas me contive, pois, acabada a greve dos professores, acho que todos da redação do JP, inclusive você,  voltar-se-ão para as  notícias de sempre.   

Permiti-me, no entanto, duvidar dessa minha quase certeza. Se é verdade que um editorial por si não faz revolução, verdade também é que bem pode ser o seu início. Assim sendo, sobreveio em mim a necessidade de convidá-la para que se empenhe também em descortinar a verdade dos atos e dos fatos aprovados ou em discussão nos fóruns e conselhos de educação, ainda que (ou até por isso?) atividade a ser exercida  em  terrenos instáveis pela própria natureza democrática que os constituem espaços de negociação  de sentidos.

Pensemos um pouco:  grosso modo, ninguém faz cobertura desses espaços por que eles não produzem nada de importante ou esses espaços não produzem nada de importante por que não são cobertos pela imprensa? Que dilema! Ou será que produzem sim esses espaços atos e fatos importantes, cujos reflexos no dia-a-dia do povo, no entanto, não se verificam em virtude da ausência de uma boa dose de pressão deste mesmo povo?

Será? Certo é que ao povo se continua a oferecer pão e circo. Hodiernamente, BBB. Sobre as metas do PNE-2, já em risco de não vermos cumpridas em tempo oportuno, nada se fala ao povo nos horários ou nas páginas nobres de nossos veículos de comunicação. Principalmente sobre a que estabelece que até 2024 devemos  aplicar em educação recursos que correspondam a 10% de nosso PIB. Se brava gente, de fato, estaríamos exigindo desde já ( até como forma de compensar o corte no orçamento da educação imposto no início deste ano)  aumentos gradativos no repasse de recursos por parte da União aos Estados e Municípios via FUNDEB. Afinal, nunca é demais lembrar, que para cada R$ 1,00 aplicado em educação em nosso país os Municípios colaboram com R$ 0,42, os Estados com R$ 0,40 e a União com R$ 0,18. 

Injustiça federativa para a correção ou a diminuição da qual bem poderia o JP (para além da necessária demonstração de sua indignação em belos editoriais) favorecer com a cobertura jornalística dos fóruns e conselhos (federal, estadual e municipal) de educação. De maneira que, assim fazendo, se fizesse bem conhecido, por exemplo, o parecer CNE-CEB 08/2010, vital para que a referida aberração federativa seja enfrentada. O MEC não o homologa   porque isso implicará o repasse de algo em torno de R$ 37 bilhões para todos os Estados e Municípios. Para entender bem o assunto,   não deixe de assistir (e de indicar aos leitores do JP?) ao vídeo produzido pela Undime em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação sobre o CAQi.

A hora de lutarmos para que não vejamos se repetirem entre nós os erros que impediram o cumprimento das metas do PNE-1 é agora.

Sugeri em 2007 que a nossa Rádio Educativa FM 105,9 fizesse a cobertura dos conselhos de educação, recebendo à época resposta que me fez esperar por um bom tempo por um jornalismo mais comprometido daquela emissora. No início de 2013, apresentei a mesma sugestão à nova direção que tomava posse, mas, até o momento, nada de significativo, salvo melhor juízo, se alterou por lá.

(…)

Talvez devamos começar a mudança pelos jornais. Venho assim, pois, pelo presente,  mui respeitosamente – ou se preferir, como diria o Antônio Pinto de Almeida Ferraz,  diplomaticamente – apresenta-la agora ao Jornal de Piracicaba. O que vocês acham,  Ude?

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