Os Professores, As Tecnologias E A Formação

Os Professores, as tecnologias e a formação

Eliana Santana Lisbôa

Raquel Angela Speck

A utilização das tecnologias digitais vem se consolidando e assumindo posição de destaque, como ferramentas necessárias do mundo contemporâneo, contribuindo para nos manter informados e em constante comunicação.

Elas assumem um papel de grande importância para aproximar as pessoas de todas as origens socioeconômicas, propiciando o surgimento de espaços para troca de informações e partilha de conhecimentos. Isto torna-se um desafio para a escola, pois ensinar em plena era digital contribui para o surgimento de um momento propício para tornar o ensino uma profissão envolvente que seja um divisor de água para a sociedade futura, trazendo à baila oportunidades relacionadas aos novos papéis, novos conteúdos e novos métodos de ensino e aprendizagem.

A partir das considerações acerca das implicações de ensinar em plena era digital, lançando mão das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), torna-se pertinente levantar alguns questionamentos: Será que a escola poderá responder satisfatoriamente às necessidades dos alunos que desenvolvem habilidades e estratégias de aprendizagem, principalmente fora da escola? A exemplo do que aconteceu na Holanda, não seria interessante adotar novos métodos de aprendizagem através de escolas experimentais? Que tipos de competências são necessárias ao professor deste século? Será que a formação não teria que assumir um novo modelo, em que a interação e a troca de informações através das TIC, não seriam mais empolgantes e motivadoras?

A partir desses questionamentos é importante salientar, que o uso das tecnologias em contexto educativo, não vai resolver todos os problemas educacionais, mas o seu uso de forma responsável, com objetivos bem definidos, estará relacionado à competência humana e técnica  do profissional que será responsável pela intermediação no processo de ensino e aprendizagem: o docente. Portanto, isso implica na construção de uma nova identidade para o professor, que diante das tecnologias, deverá estar preparado para agir neste novo cenário: um professor capaz de ressignificar a aprendizagem e estimular a produção coletiva – de forma autônoma e organizada através das redes digitais.

Nesse contexto há que considerar que  o cenário para mudança e formação do professor deve levar em conta os seguintes critérios: I. posicionar-se frente às informações, selecionando-as; II. integrar os diversos recursos tecnológicos; III. adequar-se às novas características da escola (ativa, participativa e livre); IV. entender a aprendizagem como não conclusiva e V. compreender a escola como re-elaboradora de crítica.

Estes critérios podem ser considerados como boas práticas que devem ser seguidas por todos no cenário educativo, tanto a nível nacional como internacional. Por este motivo, a formação continuada de professores constitui-se numa temática que assume grande relevância no cenário das políticas públicas educacionais, que mobilizam autoridades a buscarem alternativas e formas de qualificação docente que visem a melhoria de concepções e operacionalização dos processos de ensino e aprendizagem, uma vez que a formação inicial representa apenas uma fase que antecede ao início da atuação profissional do docente, sendo elas,a formação inicial e a continuada,  elementos centrais do desenvolvimento profissional e da mudança das práticas educacionais.

Neste contexto, o que se percebe, são inúmeros esforços na consolidação de uma política de formação de professores que deverá incluir uma série de competências que não levem em consideração somente os métodos de ensino, mas que seja permeada de ações que visem amenizar os mais variados problemas vivenciados numa sala de aula. Deverá fornecer meios para que os docentes explorem as oportunidades oferecidas pelas tecnologias, no sentido de usá-las como ferramentas cognitivas que oportunizem a implementação de uma aprendizagem que visem o desenvolvimento de atitudes investigativas, e o desenvolvimento do pensamento crítico, criativo e complexo.

Portanto, o que se espera da formação de professores é que, a priori, tente familiarizá-los com as tecnologias e, a partir daí, possa ir se desencadeando um programa de formação que atenda às suas necessidades. Aliado aos fatores já mencionados, é imprescindível aos  docentes contarem com um acompanhamento profissional (suporte) que esteja disponível após as sessões e momentos formais de formação, deixando-os mais seguros para aplicarem os conhecimentos adquiridos durante a formação.

Portanto, seria interessante e importante criar um espaço de vivência e partilha de experiências, em que os professores pudessem trocar informações, contribuindo para a consecução de um plano de formação que venha de encontro com os seus anseios e necessidades.

This Post Has One Comment
  1. Ah! A tão sonhada e cara formação continuada.
    Caríssimas, considero as questões que vocês colocam bastante pertinentes e necessárias. Convivemos nas escolas, mesmo na periferia, com dois mundos bastante distintos: o pátio e a sala de professores. No primeiro uma cultura atualizada pela tecnologia; no segundo uma cultura fossilizada. E fossilizada em vários aspectos, sendo o principal, a meu ver, as TIC’s. Temos professores que sequer sabem o que significa tal sigla; que está contente com o governo que trocou o mimeógrafo pelo xerox. E não precisa de mais nada.
    Tenho presenciado tanto mal uso de vídeo-dvd e televisores (nossos equipamentos mais atualizados), quiçá tecnologias mais avançadas ainda (aquelas que o estudante já tem e passa longe da escola).
    Porém a formação continuada, que nos atualizaria em todos os aspectos, não acontece. É uma área de urgente investimento, por parte dos governos, e a que menos se faz.
    Abraços

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