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Mobilizações pela América Latina

Gustavo Sampaio Mazzeti

A educação pública brasileira atravessou, e continua atravessando, diversos percalços em seu desenvolvimento nos últimos anos. As manifestações e ocupações estudantis no segundo semestre de 2016 constituíram um marco da insatisfação popular com relação às políticas públicas voltadas para os investimentos na educação nacional.

Observando as coberturas jornalísticas dos principais jornais da América Latina desde o começo de 2017, pode-se facilmente concluir que a imagem de crise econômica permeia a temática da maioria das manchetes. Avaliar qual o nível de verossimilhança dessas reportagens com o cenário real desses países demandaria uma extensa pesquisa de campo, mas é notável, antes de tudo, que o corpo discente de muitas das maiores universidades latino-americanas apresenta descontentamento com a gestão desses espaços.

O jornal argentino La Nación documentou recentemente mais uma manifestação dos alunos de diversas universidades, que buscavam negociar com o Ministério da Educação: “Estamos dispostos a abrir o diálogo, mas precisamos de uma resposta séria e, até que não a tenhamos, vamos seguir com a ocupação das escolas”,  disse Antonela Giuso, porta-voz do centro de estudantes da escola de Belas Artes Manuel Belgrano, uma das 28 escolas que continuam ocupadas em Buenos Aires.

Na Venezuela, temos uma situação ainda mais delicada: o jornal El Nacional publicou no dia 28 de setembro, em sua edição digital, uma reportagem sobre as taxas de abandono dos estudantes nas escolas do país. Com os números na casa dos 9% da matrícula total primária e 13% na secundária. Em sua avaliação, os principais fatores apontados incluem a escassez de alimentos e o aumento nos custos com transporte público.

A crise pela qual muitos desses países passam, a princípio econômicas, podem estar atreladas aos vestígios de uma lógica de gestão colonial, onde o acesso aos dispositivos funcionais da sociedade está limitado aos que detém elevada quantidade de capital. Mas certamente abriga em si, uma verdadeira crise política e identitária que promete muitos impactos nos meses que seguem…

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