Vagner Luciano De Andrade – Expansão Urbana E Educação Ambiental Na Região Do Carste– Valorização Pedagógica Das Paisagens Ao Norte Da Grande BH – 4

Expansão urbana e educação ambiental na região do Carste: valorização pedagógica das paisagens ao norte da Grande BH

Vagner Luciano de Andrade

Fonte: lagoasanta.com.br

A ampliação da área urbana no vetor norte da Grande BH é uma atualidade em construção. Para quem passa pela rodovia MG 010, sentido Aeroporto de Confins, percebe que as paisagens demonstram alterações significativas. São cenários rurais em transição para a urbanidade, transformando localidades. Em Vespasiano, com o advento do Alphaville Norte, os povoados de Angicos, Cripiano e Bernardo de Souza estão com os dias contados. São os desdobramentos da Cidade Administrativa que ampliou a urbanização ao norte da capital mineira, com empreendimentos variados, desde loteamentos populares, conjuntos habitacionais até condomínios fechados. Com esta transformação, a região da Lagoa Santa, e as paisagens pretéritas do bandeirante Fernão Dias e do naturalista Doutor Lund estão com os dias contados. No passado intencionou-se transformar essa região de tamanha relevância, em parque nacional. Isso não se efetivou e são necessárias mudanças imediatas. Assim, atividades de conscientização ambiental se fazem presentes na região entre a Quinta do Sumidouro e Fidalgo protagonizando novos cenários no âmbito do turismo pedagógico e da educação básica.

O Norte da Grande BH é região de extremo potencial pedagógico, sendo necessária uma imediata revalorização da área. A paisagem natural aqui é entendida pelo seu conteúdo intencional, tornando-se paisagem cultural, e, portanto, paisagem educativa. O Parque Nacional entre os municípios de Lagoa Santa e Pedro Leopoldo intencionava proteger uma região minerária de calcário. Wanderbilt Duarte de Barros, na década de 1950 a indicou em seu texto “Lugares para Parques Nacionais no Brasil” como área potencial para um parque nacional. Esse autor destacou a localidade como de renome cientifico pelos estudos de Hermann Burmeister, Richard Burton, Peter Lund, Reinhardt Maak, e Eugenius Warming. Inúmeros aspectos culturais e características ecológicas justificaram, na época, a criação de um Parque Nacional na região. A flora, a topografia, os achados referentes à pré-história humana atestavam a legitimidade e viabilidade da proposta. Sabe-se que um parque, além de preservar o meio ambiente, se consolida como espaço ímpar de educação. Barros mencionou que a belíssima Lagoa Santa, topônimo da lagoa que denominou a localidade. Contudo, a mineração e a urbanização se fazem presentes e demandam da educação, novas percepções acerca do patrimônio local e dos riscos que o ameaçam.

Fonte: Trilhas e Montanhas

O Parque Nacional foi substituído por uma Área de Proteção Ambiental Federal e hoje se consolida como cenário com premissas educativas. As perspectivas educacionais contemporâneas alimentam muitossonhos e quimeras. Uma delas é transpor o conhecimento exposto em sala de aula para a realidade da vida em sociedade. Neste sentido, cada vez mais a educação ambiental se formata como roposta educativa de extremo valor. A região ancestralmente ocupada pelo Homem de Lagoa Santa, no entorno dos povoados de Fidalgo, Lapinha e Quinta do Sumidouro, é um cenário potencializador de aulas concebidas fora dos muros da escola. Esta área é extremamente importante para o cenário nacional, devido aos achados arqueológicos, indispensáveis para a construção da história do povo brasileiro.

A região de Lagoa Santa abrange terrenos cársticos do Grupo Bambuí, com ocorrência de várias grutas calcárias, sendo que algumas delas apresentam pinturas rupestres. Esta temática, por sua vez, é abordada no conteúdo de História do 6º ano e incentiva visitações. Foi na região de Lagoa Santa que Doutor Lund descobriu o maior número de ossadas humanas, o que lhe permitiu inaugurar a discussão sobre a origem do homem pré-histórico mineiro. Historicamente conhecida como a região do Homem de Lagoa Santa, esta área foi transformada em Área de Proteção Ambiental Carster de Lagoa Santa e parte do Sumidouro, e foi significativamente preservada após transformação em parque estadual, no início dos anos 1980. A necessidade da imediata implantação de uma unidade de conservação entre os municípios de Lagoa Santa e Pedro Leopoldo se efetivou como compensação ambiental pelos impactos da Cidade Administrativa em meados de 2010, ou seja, trinta anos depois.

Fonte: Pelas Estradas de Minas

Assim conteúdos de Ciências, Geografia e História se entrelaçam formando panoramas e formatando a prática da educação ambiental. Visitar a região Carster de Lagoa Santa, vai além de entender o passado, é instrumento de percepção do presente e projeção para um novo futuro. A urbanização traz impactos que precisam ser compreendidos em atividades pedagógicas de leitura, percepção e interpretação do meio. O ribeirão Samambaia, que alimenta a lagoa do Sumidouro, por exemplo, nasce fora do perímetro do parque estadual que a protege, próximo a áreas de mineração de calcário, comprometendo sua área de recarga, e ocasionando redução em sua vazão. Apesar de tombada como patrimônio, a lagoa encontra-se seriamente ameaçada, pela poluição causada pelo lixo e esgoto doméstico que são lançados indiscriminadamente. Ações em educação ambiental empreendidas na região projetam a preservação da paisagem local com suas permanências e rupturas. Pensar no futuro é pensar na necessidade de criação e implantação de atividades educativas contínuas para se preservar Lagoa Santa e Sumidouro de possível impactos ambientais decorrentes da expansão urbana do vetor norte. Localizado numa região cárstica entre o parque e uma área de preservação nacional, as paisagens pretéritas de Peter Lund necessitam de imediata conservação para que continuem apresentando in loco, variados conteúdos pedagógicos indispensáveis à educação básica.


PARA SABER MAIS

BARROS, Wanderbilt Duarte de. Parques Nacionais do Brasil. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, 1952. p. 30

DIPRE/IEF-MG. Unidades de Conservação do Instituto Estadual de Florestas. Diretoria de Parques e Reservas Equivalentes. Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais Belo Horizonte. Julho/1988.

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