Então, para quê votar?

Dalvit Greiner

Acontece, hoje, em quase todas as escolas municipais de Belo Horizonte a eleição para as direções do triênio 2018-2020. Com problemas, como já afirmei aqui neste espaço, que comprometem o processo. Um deles é a diminuição do número de eleitores, provocado pelo alijamento do processo dos estudantes do final do terceiro ciclo. Sobraram apenas alguns, em geral retidos nos anos anteriores, que completaram dezesseis anos este ano. Para a juventude, ficou a possibilidade de voto para aqueles estudantes do turno noturno.

O que mais compromete o processo eleitoral na Rede Municipal de Educação? O dia escolhido para o pleito. O tempo, as datas. Uma quinta-feira, véspera de feriado, final de ano letivo, sem tempo para discutir as propostas e construir possíveis intervenções. Tudo muito legal, muito rápido, regido pela Secretaria Municipal de Educação, que definiu as datas e controlou o tempo negando as melhores oportunidades para um excelente aprendizado de Democracia.

Após um inexistente processo eleitoral, que ficou reduzido a alguns dias e algumas visitas para que os candidatos mostrassem o óbvio possível de uma construção autocrática, no exíguo tempo permitido aos cândidos candidatos. Deparei-me com propostas copiadas de outros mandatos, de outros candidatos em outras escolas, nenhuma novidade pedagógica nem política, nenhuma ideia que mostre a diversidade e a vivacidade que é uma escola pública.

Claro! Com todo o direcionamento da Secretaria Municipal de Educação, sabendo que propostas tão iguais vão se transformar num Plano de Metas, é possível afirmar que a escola democrática perdeu a sua autonomia. Deixou de ser democrática. Pela falta de criatividade dos candidatos que se submetem a cópias autenticadas pela Secretaria; pelo engessamento das propostas pela Secretaria que, obrigatoriamente, vão se transformar nas mãos dos técnicos e gerentes. Então, para quê votar?

É verdade. Para quê votar? Foi respondendo a essa questão que o dia do pleito foi marcado para hoje, dia 7 de dezembro de 2017. Uma quinta-feira em que a maioriados pais, senão todos, trabalham e não chegam ao seu bairro antes das 20 horas; num mês em que os estudantes do último ano do terceiro ciclo estão bastante preocupados com o seu lugar no ensino médio do ano que vem; num momento da história do país em que o voto e nada são a mesma coisa, pois quem governa são os técnicos. Por fim, qual a necessidade de votar numa proposta que não foi construída com a Comunidade Escolar? Que valor tem essa Democracia, emperrada e impedida da participação do demos?

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Não dá para ignorar o fato acontecido ontem, dia 06/12, da condução coercitiva dos reitores da UFMG. São ações previsíveis e sintomáticas de um governo imoral. Previsíveis, na medida em que não sabemos onde e quando esse governo vai nos atacar. Sintomáticas, na medida em que quando o chefe não tem limites – isto é, ética – o chefiado, na certeza de agradá-lo perde todo e qualquer limite – isto é, ética. Porque previsíveis e sintomáticas não devemos nos esquecer do poema de Eduardo Alves Costa, “No caminho, com Maiakovsky”: acabaram de entrar no nosso quintal.O que faremos?

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