São Paulo - Estudantes Da Escola Estadual Diadema Faz Protesto Contra A Reorganização Escolar Que Será Implantada Em Janeiro De 2016 Pela Secretaria De Educação (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Eleger a Educação Pública: retomar nossa agenda prioritária

Há bem pouco, apenas três anos, se tanto, antes do golpe que atirou o Brasil nesse tempo sombrio e doloroso, já tão demorado, a agenda da educação pública em que apaixonadamente nos envolvíamos girava em torno de temas como: o Plano Nacional de Educação e as políticas necessárias para alcançar suas metas; a campanha nacional pelos 10% do PIB para a Educação, condição para os avanços na Educação Básica e Superior; os 100% do Pré-sal para a Educação (depois, chegou-se a uma proposta de 75% para educação, destinando-se 25% à saúde – até reclamamos disso, mas ficou bem assim, compreendemos que a saúde pública merecia ser contemplada na distribuição da riqueza nacional); a universalização da Educação Infantil; a expansão do Ensino Médio (discutia-se inclusive a possibilidade de sua federalização); a construção de uma Base Nacional Comum Curricular discutida com os sujeitos da Educação; a ampliação do acesso às Universidades Públicas, com expansão de sua rede pelo país, como uma das condições para seu desenvolvimento, garantindo-se políticas de permanência de estudantes em vulnerabilidade socioeconômica; e tantos temas mais, que nos mobilizavam a agir onde estivéssemos.

Era uma ‘agenda da educação a favor’. A favor de tudo o que a fizesse avançar como política pública, sempre orientada pelo fundamental princípio de que a educação é um bem público e um direito de cidadania, portanto, uma responsabilidade constitucional da União (em seus três níveis, federal, estadual e municipal).

Chega a ser quase inacreditável que hoje estejamos em uma ‘agenda da educação em luta contra’. Em luta contra a PEC 95 (que congela os investimentos em saúde e educação por infinitos 20 anos); contra a ‘r(d)eforma’ do ensino médio’; contra uma BNCC que não tenha sido minimamente discutida; contra os cortes no orçamento do Ministério da Educação, e suas danosas consequências para a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação indispensáveis aos avanços civilizatórios; contra o ‘projeto’ Escola sem Partido; contra os ataques às universidades públicas; contra uma ideia de educação como mercadoria, contra a retirada de direitos civis; contra, enfim, um projeto de país que é uma barbárie, um desrespeito a seu povo, um permanente crime de lesa-pátria.

Já sabemos bem quem impôs essa agenda de destruição anunciada da educação pública, como sabemos também a quem ela serve e interessa. Um país sem soberania, submisso ao eixo norte-norte, entregue à sanha do mercado que em tudo só vê dividendos e lucros.  Essa outra ‘agenda da educação’, contra a qual lutamos, tem fortes representantes no Executivo e no Legislativo, nacional e estadual. Que estão se mobilizando para ocupar ainda mais o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas, os Executivos de Estados e, claro, a jóia da coroa, a Presidência da República. Essa agenda conta com um grande poder econômico, com refinadas redes de capilaridade na sociedade, e o apoio da grande mídia que autoriza seus representantes e os projeta nacionalmente. Sim, essa agenda tem muita força política e econômica. Vão conseguir eleger os seus, e não serão poucos.

Nosso desafio é eleger os nossos.

É urgente retomar a nossa agenda da educação pública, aquela que nos interessa em nosso trabalho diário de construir um país bonito, justo, fraterno, solidário.  Eleger em outubro a nossa agenda da educação pública.

A escolha de representantes no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas Estaduais assume importância decisiva nessa retomada. Os dois meses que nos separam das eleições são nossa oportunidade de ‘pensar a Educação e para pensar o Brasil’ que desejamos para os tempos próximos.

Hora de discutir entre amigos(as) as propostas para a educação que estão sendo apresentadas por candidatos aos poderes Executivo e Legislativo; hora de convidar  a todos(as) os(as) que nos rodeiam para assumir uma decisão de importantes desdobramentos; hora de eleger quem esteja comprometido desde sempre com uma agenda da educação pública que interessa ao País e ao seu povo.

Nesse momento, diferente do que adoramos cantar com Chico Buarque, é preciso sim nos apressar, que retomar nossa agenda é pra já.  Porque como ele também canta, é hora de fazer nossa travessia para um tempo da delicadeza. É para essa bela jornada a nossa agenda da educação.


Imagem de destaque: Rovena Rosa/Agência Brasil

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