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Educação popular: do povo e para o povo

Gustavo Mazzeti

No primeiro de maio, Dia dos Trabalhadores, acontecia na UFMG o quarto encontro do “II Congresso Internacional Paulo Freire: O Legado Global”. Dada a hora de início da conferência principal, o auditório permanecia vazio. Nesse momento, se apresentavam na parte externa do CAD 1 alguns dançarinos e MC’s do projeto social “Lá da Favelinha” que, cercados pelo público, envolviam entre as músicas e passinhos os ali presentes.

Após as apresentações, os conferencistas e espectadores seguiram juntos para o início dos diálogos sobre “Educação Popular, contexto social e o legado da obra de Paulo Freire”. Ao iniciar sua fala, Francisca Rodrigues de Oliveira Pini (Instituto Paulo Freire) reforçou a importância da incorporação das manifestações culturais populares ao espaço acadêmico, não como um apêndice ou atraso na programação oficial, mas como uma troca de saberes real entre as duas faces, pois a educação popular parte do reconhecimento e respeito das manifestações cotidianas como recursos educacionais legítimos.

Diretora pedagógica do Instituto Paulo Freire, Francisca Pini partiu de reflexões freirianas para nos chamar a atenção sobre o despertar dos oprimidos para a necessidade de luta. “A nossa luta é pra que a gente implemente uma democracia radicalmente participativa”.

O sociólogo e educador popular Oscar Jara, do Conselho de Educação Popular da América Latina e Caribe, propôs em sua palestra a experiência da integração cultural que ele vinha presenciando em sua passagem pelo Brasil. Além de arriscar sua fala na língua portuguesa, Jara tocou violão e convidou a todos os presentes a acompanhá-lo em coro na letra: “Soyindio, negro y mestizo. Hijo de un tiempo feroz. Cargamos muchas historias y levantamos la voz”.

Alinhado às pautas contemporâneas do contexto brasileiro, Oscar discutiu com o público sobre quais são os desafios de se alcançar uma educação popular no país frente aos diversos obstáculos que ele chamou de “paradigmas ético-político-pedagógicos” e pediu que tivéssemos esperança na liberdade dos indivíduos, como um objetivo educacional.

Já a professora Luiza Cortesão, do Instituto Paulo Freire de Portugal, salientou as dificuldades de se estabelecer o diálogo entre culturas diferentes. “Na tentativa de estabelecer um diálogo intercultural, a distância entre os diferentes universos culturais poderá ser sentida como fissura, como fenda ou mesmo como abismo intransponível”. Em suas conclusões, nos apontou como solução a esses desafios aceitar as diferenças, pois elas representam o estado natural das coisas que nos cercam.

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