Foto: Fernanda Aparecida Peixoto (2015)

Cenários educativos e perspectivas pedagógicas da atuação do ecólogo

Vagner Luciano de Andrade

O dia 21 de setembro traz reflexões no que se refere a celebrar o dia da Árvore para além de uma data comemorativa, problematizando-o e contextualizando-o. Assim, a maior abrangência dos conceitos ecológicos e da comprovação das alterações de vários ecossistemas pela ação humana leva a escola a protagonizar estudos interdisciplinares das relações e interações entre o homem e a biosfera, visando melhorias na saúde e qualidade de vida, não somente física, mas, sobretudo social. Com o passar do tempo, os conceitos de biologia da conservação se inseriram não somente no contexto escolar, mas ampliaram-se para a pauta de ação dos governos, com a regulamentação do acesso e uso do ambiente natural e espécies correlacionadas. No século XXI, através de várias organizações ambientalistas, a preocupação com a questão e a disseminação do conhecimento científico acerca dos impactos do homem sobre o meio levaram a série de avanços da Ecologia, com evidências para a educação ambiental.

A Ecologia é o estudo científico e, portanto escolar da distribuição e abundância dos organismos e das interações que determinam a sua distribuição nos diferentes ambientes. As interações podem ser entre os seres vivos e destes com o meio ambiente.  O termo Ecologia tem origem etimológica no grego “oikos” (casa) e “logos” (estudo) e representa o estudo da casa, do lugar onde se vive. Ernst Haeckel, naturalista alemão, foi o primeiro cientista a utilizar a palavra em 1869. A Ecologia se divide em Autoecologia, Demoecologia e Sinecologia. Entretanto, diferentes ramos surgiram a partir do diálogo interdisciplinar com diversas outras áreas do conhecimento: Agroecologia, Biologia da Conservação, Ecofisiologia, Ecologia Animal, Ecologia Aquática, Ecologia da Paisagem, Ecologia da Restauração, Ecologia Humana, Ecologia Numérica, Ecologia Quantitativa, Ecologia Teórica, Ecologia Terrestre, Ecologia Vegetal, Macroecologia, Microecologia, Educação Ambiental, dentre outros.

Foto: Washington dos Santos Fonseca Costa (2018)

Lamentavelmente, à medida que os problemas ambientais aumentam novas áreas de atuação exigem a formação e presença de um novo profissional, o bacharel em ecologia, por sua vez, exímio educador. Neste contexto, na contemporaneidade há muitas aplicações práticas da ecologia, principalmente no espaço escolar e nos processos de escolarização, visando anular ou restringir os efeitos danosos do sistema capitalista desenfreado sobre a natureza e a sociedade. Assim além da educação ambiental, destacam-se ações e aplicações no modelo socioeconômico vigente como agricultura ecológica, conservação da biosfera, gestão ordenada da pesca, gestão de recursos naturais, gestão dos efluentes e resíduos, manejo de zonas úmidas, planejamento das cidades e silvicultura sustentável.

 

Ecólogo é a qualificação profissional dedicada ao estudo e pesquisa da Ecologia que agrega diversas funções significativas relacionadas à preservação da biodiversidade, aos ecossistemas florestais, aquáticos e urbanos, visando diminuir e/ou minimizar os impactos causados pelas ações humanas. No mercado de trabalho, vários são os cenários e perspectivas da atuação do ecólogo/bacharel em ecologia nas áreas de educação e gestão ambiental atuando em amplos campos como:

  • assessoria a empresas e governos na gestão do meio ambiente,
  • avaliação de riscos eimpactos ambientais na natureza,
  • averiguação de causas/soluções para acidentes ambientais, dimensionado a destruição correlacionada a ele,
  • consultoria e assessoria nas diferentes áreas da ecologia,
  • criação de estratégias de ocupação e exploração sustentável de áreas de natureza intocada,
  • docência e desenvolvimento de pesquisas em universidades e ONGs,
  • elaboração de relatórios de impacto ambiental,
  • fiscalização de empreendimentos que alterem as condições naturais,
  • inspeção e controle dos poluentes industriais,
  • oferta de programas de educação ambiental,
  • prevenção de impactos negativos no meio ambiente,
  • projeto de implantação de parques, estações ecológicas e reservas ecológicas entre outras modalidades,
  • realização de palestras educativas,
  • recuperação de áreas devastadas,
  • solução para problemas de resíduos e efluentes,
  • trabalho de guiamento em unidades de conservação.

Imagem: WWF Brasil

Com esta pequena síntese, é possível notar as contribuições desse profissional extremamente novo, porém relevante para a consolidação e legitimização da educação ambiental e, sobretudo da sustentabilidade brasileira. Com desígnio de regulamentar a profissão de ecólogo no país, foi fundada em 1991 a Associação Brasileira de Ecólogos (ABE) com sede na cidade de Piracicaba, Estado de São Paulo. Por não ser uma profissão regulamentada, foi necessária ampla mobilização da sociedade brasileira através do Projeto de Lei nº 105, datado do ano de 2013 que dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão do ecólogo no país já aprovado na Câmara dos Deputados e aguardando sanção pelo Executivo Federal. No Brasil, a área da Ecologia quase se restringe a programas de pós-graduação, tanto lato sensu, quanto scrito sensu (a maioria deles), sendo que existem pouquíssimas instituições públicas e/ou privadas de ensino que oferecem o curso de Graduação em Ecologia, sendo duas já extintas no Sul do país, a Universidade Católica de Pelotas (RS) e a Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (SC); duas no nordeste: a Universidade Federal da Paraíba (PB) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (RN); e uma no sudeste, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (SP). Recentemente houve, em 2011, a lamentável extinção do curso regular que era ofertado no Centro Universitário de Belo Horizonte (MG), diminuindo os quadros de formação de ecólogos.

Os cursos de graduação em ecologia duram em média quatro anos com disciplinas interdisciplinares nas áreas de biologia, botânica, educação, estatística, geologia, geografia, matemática, química e zoologia. Em aulas práticas de laboratório fazem-se análises biológicas e químicas e a manipulação de indicadores ambientais. O curso ainda é focado no estudo de dados, ecossistemas aquáticos e terrestres, ecologia de comunidades e medidores de poluição e inclui estágio curricular obrigatório. A Ecologia e a Educação Ambiental é certamente uma das áreas promissoras da contemporaneidade, em decorrência dos múltiplos impactos em todas as regiões do planeta. É uma ciência relevante e complementar que por sua vez complementa a ação educativa e profissional em prol da recuperação e/ou preservação dos recursos naturais. Neste contexto assim como o Serviço Social é complementar às Ciências Sociais, a Ecologia também é complementar às Ciências Biológicas, sendo, portanto necessária e indispensável à construção de uma nova ordem socioambiental.

Foto: Fernanda Aparecida Peixoto (2018)

PARA SABER MAIS

Projeto de lei sobre a regulamentação do exercício da profissão do Ecólogo

Cursos de Graduação em Ecologia no Brasil: aproximações paradigmáticas, por Camila das Neves e Gionara Tauchen

Apresentação do curso de Ecologia da UFRN

 

 

Imagem de destaque: Fernanda Aparecida Peixoto (2015)

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