Avaliação e intervenção: um assunto que merece mais atenção – exclusivo

Eloisa Nascimento

Que avaliar é um tipo de intervenção presente no cotidiano da prática docente de qualquer professor e é de grande relevância para o processo de ensino-aprendizagem do aluno não é novidade para nenhum leigo nesse assunto. Assim como não é novidade saber que durante toda trajetória escolar, desde a educação básica até o ensino superior, ela se faz presente. No entanto, que o ato de avaliar tem infinitas funções e que se faz necessário, além de fundamental, saber o que se deseja antes, durante e depois de aplicação de uma avaliação, pode ser novidade para alguns profissionais.

Quando o objetivo é avaliar, é importante ter claramente definido o que se pretende com tal avaliação. Pode-se avaliar para diagnosticar, acompanhar, monitorar, identificar, conhecer, medir, treinar ou mesmo para avaliar. Entretendo, nada disso trará mudanças se o docente não planejar e realizar as intervenções de acordo com o objetivo que se estabeleceu antes de avaliar o aluno. O ato de avaliar está intimamente relacionado ao ato de intervir e ambos precisam caminhar juntos para que mudanças possam ser notadas e conquistadas no âmbito educacional.

Durante todo o ano letivo, muitas avaliações são aplicadas, algumas “obrigatórias” no currículo escolar, outras complementares ao processo de ensino-aprendizagem. Considerando a relevância cada vez mais evidente em se efetivar melhorias na educação, especificamente na educação pública, nota-se uma ênfase ainda mais intensa na prática de diferentes avaliações internas, mais precisamente ao final do semestre letivo, visando preparar os alunos para avaliações externas, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e a Prova Brasil, por exemplo. Essa prática, muitas vezes, nos revela duas tristes realidades: os aspectos quantitativos prevalecendo sobre os qualitativos e a capacidade de treinar os alunos para conseguirem responder as questões prevalecendo sobre a capacidade de medir o aprendizado.

De acordo com a definição de avaliação escolar de Luckesi, a avalição é “um juízo de qualidade sobre dados relevantes para uma tomada de decisão”. Partindo desse ponto, avalia-se para planejar as tomadas de decisões necessárias, ou seja, fazer intervenções com base nos resultados obtidos visando melhorias no processo de ensino-aprendizagem. As intervenções precisam ser inseridas no cotidiano dos docentes, principalmente para tornar a avaliação um instrumento de inclusão, de crescimento e de aquisição e não apenas um instrumento de classificação e seleção.

Capacitar e auxiliar os alunos, tanto para essas avaliações quando para aquisição de conhecimento, é de suma importância para a trajetória escolar e profissional na vida desses alunos. Tão importante que é notável, em pleno século XXI, a presença de alunos analfabetos funcionais ingressando nas universidades, alunos que não dominam habilidades básicas de leitura e escrita. Alunos que terminam sua trajetória de estudos trazendo como bagagem para a universidade defasagens que comprometerão seu desempenho e, consequentemente, sua atuação profissional. Mantem-se assim, um círculo vicioso entre quem aprende e quem ensina.

Esse cenário pede um olhar mais atento para algumas questões como baixa qualidade do ensino público, adoção da progressão continuada na educação pública e o descaso com a falta de valorização com a carreira docente por parte dos órgãos competentes, por exemplo. Enquanto questões básicas e primordiais não forem sanadas na base, continuaremos a ter que fazer parte de uma triste realidade. São necessárias novas políticas públicas para alcançar uma educação que consiga atender as metas educacionais e ter uma excelência em qualidade de ensino.

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