Aprendizagem! Para quem, mesmo? – exclusivo

Tiago Tristão Artero

Afinal, quando falamos em aprendizagem, de qual ser humano estamos falando?

Vamos iniciar nossa reflexão a partir da Grécia. Traçando um paralelo entre Sócrates, Platão e Aristóteles, notamos, já em pensadores respeitados, diferentes abordagens.

Em Sócrates, é válido destacar seu esforço em determinar o que nos diferencia dos animais, o limite que nos separa deles e tendo como grande diferencial a razão. Todos nós, portanto, portadores da razão, condição própria do ser humano, somos capazes de modificar nossa vida, nossa cultura, agindo na sociedade. Entendemos, a partir daí, a influência que exercemos e recebemos em nossa vida social.

Já Platão, ocupou-se em dizer que, a partir de um dualismo entre corpo e alma, haveríamos de entender nossas limitações por estarmos vinculados a um corpo físico. O mundo das ideias, diferente do mundo real, não teria as limitações impostas pelo corpo.

Nessa época com Aristóteles, temos um tratado que fala da diferença entre a razão, percepção e as sensações. Alma e corpo não poderiam ser dissociados.

Vemos, portanto, as diferenças e as contradições, desde essa época. Na fase Romana, não foi diferente. Novamente se erguem conceitos que fragmentam o indivíduo e colocam o corpo em desvantagem em relação à alma, desmembrando e condenando nossa matéria à impureza e reduto de pecados. A alma estaria presa no corpo.

No Renascimento, ampliando as possibilidades de estudo acerca do ser humano e suas características, e possibilitando a percepção de aspectos científicos, tornamo-nos elementos integrantes do mercantilismo que abriu fronteiras para mudanças radicais na sociedade. O estudo do corpo humano, por meio de cadáveres, auxiliou o crescimento da anatomia e da mensuração de variáveis que possibilitaram a compreensão das sensações e suas influências no corpo físico. As ideias de Descartes foram um marco para o avanço científico nas análises citadas desse período.

Essas mudanças foram tão significativas que com a Fase Científica, tivemos a oportunidade de entendermos, mesmo que advindos do dualismo corpo-mente, abordagens como o funcionalismo, o estruturalismo e o associacionismo. O funcionalismo buscava entender o que faz e por que faz o homem, ou seja, as funções e ações do ser humano, inevitavelmente, direcionando a compreensão para um sujeito que poderia contribuir economicamente para a sociedade. Já o estruturalismo buscou estudar aspectos do sistema nervoso central, ou seja, atendo-se às estruturas do nosso organismo. Por sua vez, o associacionismo, buscou entender a aprendizagem a partir de ideias simples até as mais complexas, em um viés comportamentalista que entendia as recompensas e os castigos como fundamentais no desenvolvimento de um novo comportamento, podendo ser assim conceituado como “Lei do Efeito”.

A ciência, então, ganha solidez e notamos o desenvolvimento da psicologia como área capaz de vincular-se às outras ciências, contribuindo, inclusive nos cursos de graduação, para o desenvolvimento de noções acerca da espécie humana, seus conflitos, necessidades, comportamentos e relações no meio social e com o meio social. A concepção de homem, de sociedade e, inclusive suas necessidades de aprendizagem, foram tendenciadas para atender a economia de mercado.

Nas universidades, há um movimento que busca uma alternativa para o reducionismo no olhar acerca do ser humano, utilizando-se da psicologia social como alternativa às limitações impostas pelo sistema. Saviani aborda as limitações que a educação possui no Brasil, desde seu início, com os jesuítas.

Mesmo que o Behaviorismo, o Humanismo e outras compreensões existentes tenham trazido benefícios na compreensão dos indivíduos e contribuições na educação, há que se buscar – apartir da libertação das amarras culturais atuais, que nos prendem a soluções imediatas e efêmeras – profundas modificações, advindas de um planejamento estruturado e capaz de lidar com a educação com a profundidade e seriedade que esta mesma merece, já que estamos falando das gerações vindouras.

Mas, o que dizer da formação humana se a semente que a gera – a educação – está sendo simplificada e direcionada a interesses não abrangentes?

Esta reflexão foi curta, quem sabe até simplista, mas não é isso que estamos aprendendo?

Não privemos nossos alunos do conhecimento estruturado, desenvolvido no decorrer do desenvolvimento da humanidade, pois o objetivo do professor é justamente o contrário.

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