A requalificação urbana ou revalorização do solo? Os espaços de exclusão na cidade de Juazeiro-BA

Sidclay Pereira*

 

A requalificação urbana se compõe das relações econômicas que envolvem a rentabilidade como resultado do desenvolvimento nos novos espaços, das relações sociais, dos possíveis benefícios para a população, do aparecimento de novas atividades que tendem a diminuir, ao menos em princípio, os índices de pobreza.

A cidade de Juazeiro possui uma população estimada de 221.773 habitantes em 2017, um acréscimo de 23.808 em relação ao Censo de 2010. Esse aumento decorre da sua consolidação como uma cidade atrativa às pessoas em busca de oportunidades de trabalho e qualidade de vida. O crescimento populacional vertiginoso tem impactado sobremaneira na requalificação do espaço urbano da cidade. Nesse sentido, nos períodos entre outubro e dezembro de 2017 foram feitas coleta de dados em livros, sites, artigos e diversos trabalhos de campo para entender como essa requalificação está acontecendo numa das áreas periféricas da cidade.

Inicialmente, a Prefeitura de Juazeiro, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SEDUH) em parceria com a iniciativa privada, realizou o projeto de requalificação do centro da cidade. Esse processo chegou às áreas consideradas periféricas, principalmente aquelas consideradas estratégicas e nos chamou atenção.

A área conhecida como a saída de Juazeiro na BR-407 é o melhor exemplo da requalificação do espaço urbano na junção de capital privado e ação estatal. Em 2000, a área apresentava um índice muito grande de solo exposto, ou seja, a maioria dos estabelecimentos comerciais atuais ainda não existia. Em relação à área residencial, o mercado imobiliário ainda não era intenso e a maioria dos lotes parecia abandonada. Nessa época, o Mercado do Produtor era uma espécie de limite entre o urbano e o rural. No ano de 2017, o solo exposto passou a dar lugar aos grandes e pequenos estabelecimentos, liderados por um Shopping Center e uma grande loja do mercado varejista. Em relação à área residencial, o mercado imobiliário passou a especular cada vez mais, fazendo com que os lotes passassem a ter preços bem acima dos praticados anteriormente. Os bairros próximos sofreram uma revalorização passando a abrigar um maior número de pessoas e a rodovia foi duplicada para atender o atual fluxo de automóveis que só tende a aumentar.

Essas mudanças foram arquitetadas entre o poder público e o capital privado para revalorizar uma área aparentemente abandonada sob a desculpa da requalificação urbana. Apenas após a chegada dos grandes empreendimentos foi que a região passou a receber investimentos estruturais e, consequentemente, expulsando a população que ali vivia.

A segregação tornou-se mais evidente, uma vez que de um lado, próximo ao shopping, estão localizados os condomínios fechados, locais que contam com segurança privada e todos os serviços básicos necessários de abastecimento de água, energia e saneamento básico. Do outro lado, está a população mais pobre, em casas sem a mínima infraestrutura ou conjuntos habitacionais populares afastado da cidade e com transporte público precário. Em alguns casos, não tem sequer um posto de saúde.

Levando em consideração o exposto, urge a necessidade de uma gestão mais participativa, onde sociedade e Estado possam discutir em busca de uma situação favorável à população de baixa renda. A requalificação urbana é importante desde que atenda a todos, sem restrições e não apenas a grupos econômicos e especuladores imobiliários. Os resultados aferidos nessa pesquisa proporcionam o debate e, principalmente, aguçam a necessidade de um aprofundamento sobre as problemáticas urbanas e a cidade de Juazeiro se apresenta como um campo riquíssimo.

 

Essa pesquisa foi desenvolvida pelos graduandos de Licenciatura em Geografia da Universidade de Pernambuco – Campus Petrolina: Carla Danyelle Moura Santos (dany_carla12@hotmail.com), Patrícia Maria da Silva (patrycinhaamar@hotmail.com),  Alexandre Maike Gonçalves Rodrigues (alexandre_maike@hotmail.com),  Maria Francimeire Mirando do Carmo (merinhasmbv@gmail.com) e Cíntia Luíza de Lima Macêdo (cintia.mary99@gmail.com) como parte das atividades dos componentes curriculares Região e Regionalização e Geografia Regional do Brasil.


*Sidclay Pereira é licenciado e Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco, Doutorando em Ciências Geográficas pela Université Laval (Quebec, Canadá) e Professor Assistente do Colegiado de Geografia da Universidade de Pernambuco – Campus Petrolina.

Contato: sidclay.pereira@upe.br

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