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A aranha arranha a jarra, a jarra arranha a aranha: o uso dos venenos de aranhas para tratamento de doenças

O último painel do Pint of Science no Filé Espeto, realizado na última quarta-feira (22 de maio), trouxe as pesquisadoras Clara Guerra Duarte (FUNED) e Maria Elena de Lima Perez Garcia (Prof. Aposentada da UFMG / Santa Casa de Misericórdia). O painel intitulado A aranha arranha a jarra, a jarra arranha a aranha: o uso do venenos de aranhas para tratamento de doenças teve como objetivo apresentar o uso de toxinas venenosas ou não na fabricação de vacinas e medicamentos.

Clarra Guerra durante sua fala

Clara Guerra falou sobre a atuação da FUNED na investigação da aranha marrom, responsável por diversos casos de envenenamento em ambientes urbanos como Curitiba e Belo Horizonte. Ela explicou como os cientistas de laboratórios públicos investigam os possíveis usos do veneno para a criação de soros contra o próprio veneno. No caso da aranha marrom era necessário um número grande de aranhas para que fosse produzido 22.000 mil ampolas. Entretanto, os cientistas conseguiram isolar as moléculas do veneno da aranha e produzir o veneno sinteticamente, desta forma dispensaram o uso do veneno natural na produção do soro.

Em meio a apresentação dos métodos que os cientistas da FUNED usaram para a fabricação do soro a pesquisadora mostrou que a incidência de envenenamento é maior na população empobrecida do país e que não gera interesse da indústria farmacêutica investir na investigação da produção de soro contra os incidentes envolvendo a aranha marrom. Nesse sentido fica a cargo dos laboratórios públicos esse tipo de investigação, ou seja, nos mostrando a importância do investimento público em ciência e no retorno deste para a sociedade.

Brinde dos especialistas e representantes de instituições abrindo a noite no Filé.

Na mesma ocasião falou a pesquisadora Maria Elena de Lima Perez Garcia que “trabalha há mais de 30 anos com venenos de artrópodes (aranhas, escorpiões), além de serpentes, etc. com ênfase em peptídeos (naturais e sintéticos) com atividade anti-microbiana, inseticida, antinociceptiva (analgésica), antitumoral, e também potenciador da função erétil, etc”. A pesquisadora apresentou três principais aplicações desenvolvidas por pesquisadores da UFMG no desenvolvimento de medicamentos a partir de venenos de aranhas e serpentes. A apresentação da professora aposentada deu uma maior ênfase aos métodos científicos e resultados até que um composto ou peptídeos que seja patenteado e fornecido a industria farmacêutica.

Dentre os produtos resultantes das investigações destacadas pela professora a partir do uso de aranha está o uso como antibióticos nos casos de superbactérias resistentes aos antibióticos disponíveis. Mencionou por último um peptídeo que foi isolado e testado e resultou na aplicação voltada para a correção de disfunção erétil, bastante eficaz em animais.

A noite foi encerrada com perguntas, como é de praxe no Pint Of Science. A casa cheia se mobilizou muito em torno do tema, fosse pelo interesse nos potenciais antibióticos, na relação da academia com a indústria farmacêutica ou acompanhando os gracejos de Maria Elena sobre o “viagra” de veneno de aranha.

 

Vanessa Macedo

Imagem de destaque: Егор Камелев via Unsplash

 

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