Marcha Pela Ciência 07 05 2019

Marcha pela Ciência – Em defesa da FAPEMIG movimenta BH

Atividade reuniu pesquisadores de diversas instituições e áreas para dialogar com a população e cobrar a retomada nos investimentos nacionais e estaduais em Ciência, Tecnologia e Inovação

Para aproximar da população e promover um diálogo público entre ciência e sociedade, pesquisadores, estudantes e professores ocuparam as ruas de Belo Horizonte na Marcha pela Ciência – Em defesa da FAPEMIG na última terça-feira, dia 07. Organizado por diversas entidades científicas de Minas Gerais, a marcha se concentrou no início da tarde na praça Raul Soares, no hipercentro da capital mineira, tradicional espaço de atos populares. Com cartazes e faixas, os manifestantes lembraram aos passantes sobre a importância da ciência no dia-a-dia de todos e como os cortes promovidos pelos governos federal e de Minas Gerais afetam o desenvolvimento de pesquisas nas mais diversas áreas.

A Manifestação, que já ocorreu em outros momentos, nasceu da intenção de trazer a pesquisa e o cientista para a rua, num cenário em que a ciência é atacada por movimentos que questionam sua serventia e suas descobertas, como o terraplanismo e iniciativas anti-vacinas. Contudo, em 2019 a marcha ganhou mais força e importância devido à redução drástica nos investimentos em ciência e ataques às instituições de Ensino Superior. Desde o início da gestão do Presidente Jair Bolsonaro, as universidades, especialmente as públicas, têm sido alvo de ataques ideológicos e principalmente da redução de verbas repassadas pela união. Tanto o presidente como membros de seu governo, como o Ministro da Educação Abrahan Weintraub, questionaram publicamente a eficiência e a importância de tais instituições. Acompanhado disso, o governo iniciou um processo de contingenciamento de verbas que já atinge e prejudica várias universidades federais.

Já no cenário mineiro, a situação se complicou muito desde que, em fevereiro, a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) divulgou um corte maior em seu orçamento que levou à suspensão de bolsas de Iniciação Científica em todo estado. Movidos por esse quadro, membros da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais compareceram à Marcha Pela Ciência. Segundo Luana Ramalho, presidenta da UEE, os cortes afetam não apenas as pesquisas em andamento, mas todo um processo de formação de futuros pesquisadores que diante deste cenário desistem de seguir na carreira de cientista. “Não estamos falando de 400 reais de uma bolsa. Estamos falando de uma perspectiva de vida acadêmica. De conseguir produzir ciência dentro de sua área acadêmica. Nossa maior preocupação é o futuro que nós esperamos para nosso país” afirma a estudante.

A Associação Nacional dos Pós Graduandos também esteve à frente da organização do evento e levou para o ato pós graduandos de várias áreas que lembraram que a verba, tanto de bolsa para os pesquisadores, quanto de manutenção de laboratórios e espaços de pesquisa, são fundamentais para o desenvolvimento do país.  Para Mariana Bicalho, diretora nacional da ANPG, o apoio popular à causa é importante para o desenvolvimento de uma nação democrática. Ela acredita que “sem ciência, educação e tecnologia não há desenvolvimento democrático no Brasil”.

Presente na Marcha, o professor Tomaz Aroldo da Mota Santos, professor aposentado da UFMG e Reitor na instituição na gestão 1994-1998, falou de como é importante que população e pesquisadores se encontrem nas ruas. “É Fundamental que a sociedade saiba o que está ocorrendo com a ciência no Brasil e em Minas Gerais. A comunidade de pesquisadores, pesquisadoras e estudantes em defesa da FAPEMIG é importantíssimo para que minas recupere sua capacidade de fazer pesquisa, ciência, inovação e tecnologia”.

A marcha pela Ciência de Minas Gerais faz parte de uma mobilização nacional em torno do tema. A secretária Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Adelina Martha dos Reis, lembrou que 95% da produção científica no Brasil é realizada em instituições públicas entre Universidades, Institutos Federais e outras unidades de pesquisa e por isso defender os investimentos e as instituições de fomento, como a FAPEMIG, é do interesse de todos.

A marcha, seguiu pela Avenida Olegário Maciel e terminou Na Assembléia Legislativa de Minas Gerais onde foi lançada no mesmo dia uma Frente Parlamentar em Defesa da Ciência, Pesquisa e Tecnologia.

Yolanda Assunção

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