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A importância da articulação entre o ensino básico e a universidade

O sucateamento do ensino público e o enfraquecimento de disciplinas que estimulem o senso crítico e um pensamento cidadão são as faces do atual governo brasileiro. À vista de manifestações contrárias aos cortes de orçamento para a educação é necessário pensar: qual o impacto a educação básica sofrerá?

A resposta pode ser dada rapidamente: os cortes prejudicam, desvalorizam e afetam não só o país pelos próximos quatro anos, mas por tempo indeterminado. Um ensino básico público  jogado à escanteio no debate da educação representará um futuro decadente para os jovens do país, será o enfraquecimento do desenvolvimento de crianças e adolescentes como cidadãos críticos. A ciência e a educação que sempre foram mobilizadas como uma bandeira política imprescindível para o desenvolvimento do país estão sendo mobilizadas como privilégio, gasto público, etc. A descontinuidade de um argumento, ainda que retórico, sobre importância da educação, do investimento em educação e ciência é sinal de tempos de ataque às instituições públicas e à produção do conhecimento científico.

A defesa de um projeto oposto à esse se dá, principalmente, como forma de resistência. Para Gabriel Marques, estudante secundarista presente na Marcha pela Ciência – em defesa da FAPEMIG realizada na Assembleia Legislativa de Minas gerais no último dia 7, o sucateamento do ensino público trará consequências à longo prazo para o país. Para ele o reconhecimento da ciência e da educação passa pela democratização do acesso e a constituição de uma ciência cidadã. Como estudante secundarista engajado em movimentos políticos Gabriel reconhece a importância do investimento em educação e a importância da construção de uma relação entre produção do conhecimento e ensino básico.

Como Gabriel, outros alunos de escolas estaduais que passaram pelo ato do dia 7 entendem e defendem a importância dos investimentos em educação, assinalando a relevância desses tanto para as universidades federais – as quais pretendem ingressar – quanto para o ensino básico – área que já integram e que compreendem as carências e possibilidades futuras. O futuro é uma preocupação dessa juventude secundarista que reconhece na universidade, na produção do conhecimento científico possibilidades de participar do desenvolvimento do país.

A luta pela educação pública de qualidade – desde o ensino básico até às universidades – se faz necessária nas ruas, escolas, assembléias, praças e redes sociais passando pelo reconhecimento da manifestação e participação pública. A universidade e a educação básica não devem ser colocadas uma contra a outra, em tempos de enfrentamento às medidas de cortes de “gastos” públicos em educação, professores do ensino superior e básico devem dialogar e estabelecer estratégias de enfrentamento. Trata-se do reconhecimento da educação como um direito social, questão da qual professores, pesquisadores e estudantes serão diretamente afetados.

 

Vanessa Macêdo e Letícia Pires

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