Me faz um cafezinho? O valor dos Cafés Científicos

Todos adoramos um bom café. Não necessariamente a bebida, mas o ato de tomar café. Sentar-se numa mesa, sem pressa, ler o jornal, verificar as mensagens no WhatsApp, ouvir uma musica, mas principalmente, parar a correria do dia a dia para conversar, pensar…

Agora imagina isso tudo com ciência! Um ambiente descontraído, aberto e de discussão é o que caracteriza os Cafés Científicos. E é esse ambiente aberto que atraiu a atenção da professora Claudia França Pietro na hora de fazer o seu doutorado. Com o nome Cafés científicos: interações entre a comunidade científica e a sociedade civil em um espaço público de comunicação da ciência, a tese pensa no papel da divulgação científica na construção da cultura da ciência para toda a comunidade.

Cláudia é graduada em Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais, é professora da coordenação de artes do CEFET, onde trabalha a 20 anos. Desde que entrou na instituição, procura articular suas práticas com as áreas de ciência e tecnologia, onde começou a pesquisar e trabalhar com os museus, os centros de C&T e as exposições.

Durante sua pesquisa de doutorado, Cláudia estudou sobre os Cafés Científicos, espaço onde representantes da sociedade civil e acadêmica se encontram para discutir ciência de uma maneira horizontal. “Ele é um espaço das pessoas, para as pessoas e é o espaço onde vai ser discutido aquilo que as pessoas querem saber sobre questões da ciência” disse ela. O Café Científico é um lugar que coloca as pessoas no mesmo patamar, onde o  pesquisador que participa deste movimento precisa estar disposto a “sair do lugar”, para promover este encontro, desconstruindo suas práticas acadêmicas e tornando acessível o conhecimento ao público civil, trazendo as pessoas pra esse espaço tão fechado que é a academia.

“Divulgação científica é a gente falar sobre ciência com a sociedade de forma direta, horizontal, de forma clara e de forma que a gente consiga dialogar com as pessoas” de acordo com Claudia. Para ela, isso contribui na construção de uma cultura científica, fazendo com que todos os saberes, construídos ou não na academia, sejam válidos. É necessário descortinar praticas para poder estabelecer um dialogo entre sociedade e academia. “Se você criar uma linguagem hermética, fechada, você não vai conseguir falar nem com e nem para a sociedade” disse Cláudia.

Para ela, uma das estratégias para ampliar esta cultura científica está em abrir as portas da academia, entender e reconhecer que saberes também são construídos fora desse espaço, reconhecer esses saberes também como conhecimento.“Ninguém é melhor do que ninguém, o seu saber não é melhor o que o do outro, apenas foram construídos de formas diferentes”.

Confira a conversa com a professora Claudia:

O Observatório da Comunicação Pública da Ciência entrevistou a professora Cláudia França Pietro para dar início a uma série de entrevistas com pesquisadores que dedicaram suas pesquisas a divulgação científica.

Imagem de destaque: Adrien Olichon

 

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