VII Fórum De Cultura Científica

Políticas de promoção da comunicação científica

Na última segunda-feira (2) aconteceu o VII Fórum de Cultura Científica da UFMG, com o tema “A construção de políticas institucionais de Divulgação Científica”. O evento foi o primeiro após a posse da nova diretoria do setor, coordenada pelo professor Yurij Castelfranchi.

A mesa contou com a participação dos professores Marcelo Knobel, atual reitor da Unicamp, e Evaldo Vilela, presidente da FAPEMIG, ambos engajados no fazer da divulgação científica. O bate-papo dinâmico e descontraído foi conduzido pelo próprio Yurij, que trouxe questões reflexivas sobre a atuação e construção de políticas de longo prazo na divulgação científica.

De acordo com o prof. Evaldo, a FAPEMIG trabalha para que a comunicação se transforme cada vez mais numa obrigação de quem é financiado pela Fundação. Assim, a sociedade pode conhecer aquilo que está sendo feito por eles. Mas essa é uma dificuldade crescente na medida em que os cortes de verbas vividos hoje não favorecem esse processo. “Nesse momento, a ciência sofre porque não ganha muita prioridade. A gente, como gestor público, quando se coloca diante do governo, pra dizer que sem ciência nós não vamos desenvolver, as pessoas não compreendem, porque não sabem o que nós fazemos. Então há uma necessidade absurda de nos comunicarmos com a sociedade, para que ela aprenda o conceito de que a economia é movida pela ciência”, declarou o professor.

Para o prof. Marcelo Knobel, é complicado falar sobre política num momento como esse, onde não se tem muitas perspectivas. “A gente está vivendo uma era de turbulência, e em certas conquistas nós estamos atrasados, como é o caso da divulgação científica” disse Marcelo. Ele ainda ressalta políticas de outros países do mundo, onde qualquer projeto tem que estar associado a uma proposta de divulgação científica para obtenção de recurso. Marcelo ainda conta o que ocorre na FAPESP, onde os grandes projetos são obrigados a ter uma equipe de divulgação.

Outro ponto levantado durante o debate foi o obstáculo cultural encontrado no interior da comunidade de pesquisa quando o assunto é a divulgação científica.Todos apontam a falta de formação específica de cientistas para atuarem como divulgadores da própria pesquisa. Outro ponto é a falta de reconhecimento da ação ‘divulgação’. Os debatedores destacaram como a academia valoriza a publicação de artigos enquanto ações diretas junto à sociedade não têm o mesmo reconhecimento. E por fim, mas não menos importante, indicaram a falta de recursos para contratação de profissionais da comunicação. O prof. Marcelo trouxe um ponto muito importante nesse contexto, que é a forma como a divulgação científica é vista pela comunidade científica, como um assunto menor. Muitas vezes a divulgação é feita por alguém que não quer fazê-la ou não tem conhecimentos e técnicas adequadas para isso. O professor ainda aponta a necessidade da formação de uma massa crítica para fazer esse assunto ser debatido mais profundamente.

Já para o prof. Evaldo isso se deve pela pouca experiência que o Brasil tem na área. “Nós ainda não temos uma cultura científica tecnológica muito arraigada, e temos um pouco de confusão nessa área. Então quando se fala em divulgação científica, é divulgação de ciência, não divulgação de ideologia. A gente se depara muito com isso. Muitas vezes você tem uma informação que não é científica, é pura ideologia”, afirmou o professor.

Ao final do debate, o prof. Yurij salientou a necessidade de uma inovação na formação dos pesquisadores. Um diálogo real, na construção de uma cidadania e não apenas um público suficientemente formado na divulgação científica. Ainda lembrou que sem recursos não há como fazer a máquina girar.

Formou-se assim um tripé de necessidades políticas: políticas para auxiliar o pesquisador a fazer divulgação; políticas para criar uma massa crítica de profissionais, que sejam valorizados na carreira; e por fim, políticas para influenciar políticos e fazê-los entender a relevância disso tudo.

Thacyane Martinelli

 

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