Pint Of Science 2018 – Foto Priscilla Baihense

Na capital dos Botecos, mais um brinde à ciência

O boteco é tradicionalmente conhecido como um lugar boêmio para quem procura conversa boa e descompromissada. Mas no início desta semana, o belohorizontino dividiu a mesa do boteco com a ciência e o cientista trocou o os experimentos do laboratório por um copo de cerveja.

Com o objetivo de mostrar aos mineiros a produção científica forte que o estado possui e que às vezes fica escondida, entidades como a Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (SEDECTES) apoiaram a realização do Pint of Science em Belo Horizonte e em mais doze cidades no interior do estado.

Na sua 3ª edição em Minas Gerais, além de se espalhar no interior do estado, também ocupou mais Bares na capital. Mais interessados, mas pesquisadores e mais pesquisas brindaram à ciência. “No primeiro Pint of Science nós tivemos dificuldade de ter professores dispostos a fazer esse enfrentamento com o público e o boteco. Hoje nós já temos briga entre eles para poder participar.” conta Evaldo Ferreira Vilela, presidente da FAPEMIG. Para ele, trazer a ciência pro boteco é popularizar a ciência.

Ainda de acordo com Evaldo, é importante trazer o tema para mais próximo da população. Para ele, hoje a ciência se juntou a economia e só é possível dar qualidade de vida para a população através de investimentos financeiros na ciência. 

“É preciso que as pessoas se convençam de que não vai ter riqueza, não vai ter desenvolvimento se nós não tivermos uma ciência forte, e que essas ciências se comuniquem com a população, porque a população é que vota. Então o sonho nosso é que as pessoas passem a votar pela ciência.” Evaldo Vilela (FAPEMIG)

Em BH, o evento pôde ser acompanhado em 5 estabelecimentos diferentes, como a tradicional Cantina do Lucas e o descontraído Filé. Para a coordenadora do Pint of Science BH e coordenadora Regional de Minas Gerais, Marina Andrade, o evento esse ano foi mais maduro, os pesquisadores estavam mais envolvidos e fizeram ações mais curtas e dinâmicas. “O boteco é um ambiente descontraído e a gente desmistifica que ciência deve ficar dentro do laboratório da universidade. A gente traz o assunto para roda de assuntos descontraídos e interessantes, a gente aproxima as pessoas do pesquisador, e a gente deixa a ciência no lugar de uma coisa interessante e não de uma coisa chata” declara Marina.

Cláudia Aparecida de Oliveira e Silva, Analista e Pesquisadora em Saúde e Tecnologia da Fundação Ezequiel Dias participou pela primeira vez do evento, palestrando em um painel sobre alergias alimentares. Ela lembra que ir até os bares ´´e uma forma de tirar dúvidas e através da ciência desconstruir mitos. “O evento é populariza e mostra que muitas das dúvidas que as pessoas têm, a gente tem trabalhado nisso, a gente tem contribuído. E mostrar esse lado de que o intuito da ciência é de contribuir pra vida de todo mundo.” disse Cláudia. Para ela a maior contribuição do evento para a população é trazer temas do dia-a-dia, facilitando a vida de todos.

Mas nem todo mundo sabia do evento. Foi o caso de Frederico Pessoa, que passava por um dos bares e foi pego de surpresa. “Eu achei muito interessante, pois é prazeroso assistir a uma palestra acompanhado de um copo de cerveja.” declarou.

O Pint of Science surgiu em Londres em 2013. O evento que vem crescendo, já se encontra em sua 3ª edição no país, acontecendo simultaneamente em outros 21 países. Só no Brasil, 56 cidades sediaram o evento, que ainda influenciou o acontecimento de vários eventos similares e independentes em cidades que não foram contempladas.

Thacyane Martinelli

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