Projeto da UFMG recolhe fósforo a partir de urina

Você já imaginou que seu xixi pudesse ter algum valor? Os pesquisadores do projeto P4Tree (xixi para árvores em tradução livre) do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pensaram nisso e desenvolveram uma tecnologia capaz separar o fósforo presente na urina e reaproveitá-lo na agricultura, visando o  desenvolvimento de tecnologias inovadoras para tratamento de efluentes.

O projeto que já havia começado nos banheiros do Instituto de Ciências Exatas da universidade, deu um novo passo durante o carnaval de Belo Horizonte. Em parceria com a Empresa Municipal de Turismo da capital mineira, a Belotur, foram colocados na cidade seis banheiros químicos com recipientes próprios para coleta do material. As unidades foram identificados visualmente e rodaram por quatro blocos de rua durante a festa.

A improvável junção de carnaval e ciência gerou curiosidade entre os foliões, e a proposta sustentável fez com que as pessoas utilizassem o banheiro de uma forma diferente. “Frequentemente ouvíamos que o projeto era muito legal. Percebemos que as mesmas pessoas eram reincidentes dos banheiros e que os banheiros P4Tree eram mais limpos ou tinham um cheiro menos desagradável.” contou o químico Arthur Gabriel da Silva, um dos responsáveis pelo projeto.

O teste realizado no carnaval é o primeiro utilizando urina bruta, produzida em um evento, portanto ainda não se sabe quais serão os resultados.

De acordo com Arthur, o projeto impacta a sociedade de três diferentes aspectos. Primeiro porque o fósforo hoje obtido na natureza vem principalmente de fontes de mineração, portanto é importante procurar fontes alternativas de recuperação de fósforo, assim como já há pesquisas para o petróleo. Segundo porque remover nutrientes de corpos d’água, como a urina, impede possíveis desequilíbrios ambientais como o fenômeno da eutrofização, causado pelo excesso de fósforo ou nitrogênio na água. E por último, o fertilizante produzido pode ter uma destinação com propostas sociais. A prefeitura pode decidir doar o fertilizante produzido nos banheiros químicos de seus eventos para iniciativas sociais ou hortas comunitárias.

Thacyane Martinelli

 

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