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Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas: o Brasil e a América Latina

Na terça-feira, 18 de julho, os professores Ivan da Costa Marques (UFRJ) e Luciano Mendes de Faria Filho (UFMG) reuniram-se em mesa-redonda coordenada pelo professor Carlos Henrique de Carvalho (UFU) para discutir o tema “Diplomacia acadêmico-científico brasileira e suas relações com as ciências humanas e sociais aplicadas”.

O professor Luciano Mendes destacou a importância da temática na discussão sobre a internacionalização das pesquisas em ciências humanas, sociais e sociais aplicadas (CHSSA). O professor frisou a importância de se considerar o MERCOSUL como um bloco com inúmeras possibilidades de trocas e cooperações científicas e culturais, não apenas como um bloco econômico, como costuma ser visto. O professor Luciano falou ainda sobre o “déficit” de jovens entre 18 e 24 anos que estão no ensino superior no Brasil, que coloca nosso país numa das piores posições da América Latina – sendo que, segundo o professor, só estão piores que o Brasil países como Haiti, que enfrentam problemas sociais e políticos muito maiores que os nossos.

Já o professor Ivan Marques abordou a valorização das ciências exatas e da natureza em detrimento das ciências humanas. Ele disse que, ao se considerar os campos acadêmicos, “não se considera que a Sociologia, a História ou a Antropologia sejam ciências propriamente. Ciência é ciência química, matemática, são as chamadas ‘ciências duras’, e são também, no nosso ambiente, quem está no topo da hierarquia quando se discute verbas no CNPq ou na CAPES, são os físicos e os matemáticos que falam mais alto”. Ele continuou dizendo que, nos países vizinhos a nós, esse problema se faz menos presente, uma vez que nestes as comunidades científicas de CHSSA são maiores, mais instrumentalizadas e mais representadas em seus respectivos governos.

Os participantes da mesa também discutiram a desvalorização da cultura e da humanidade como objetos de estudos em comparação à tecnologia. Foi citado o programa Ciência Sem Fronteiras, que não possuía abertura para estudantes de CHSSA estudarem suas respectivas ciências em outras sociedades. O debate seguiu abordando temas como a separação epistemológica entre natureza e humanidade/cultura, o Programa Ciência Sem Fronteiras (CSF) e a necessidade de se aumentar o enfoque e dar mais visibilidade às demandas das CHSSA.

Maria G. Lara

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