Cortado

O protagonismo indígena e de outras as minorias

cortadoEstive presente na terça-feira, dia 18, na conferência “O campo artístico cultural indígena: um caráter subjetivo e sagrado em defesa da natureza”, parte da SBPC Afro e Indígena, com a conferencista Alzira Lobo Arruda Campos da UNESP.

A antropóloga Alzira Lobo falou sobre o individualismo e a perda de raízes que vem junto com a pós-modernidade, sobre como o crescimento da economia global desconsidera o trabalho tal qual é feito nas tribos, o trabalho de subsistência que valoriza o sujeito e como isso tem se dado nas relações nas tribos com as quais ela trabalhou.

Alzira Lobo apontou a importância da relação de equilíbrio entre homem e natureza que cria uma consciência de totalidade para os indígenas. Ela contou que, nas tribos onde visitou, se percebe já nas crianças esse respeito pela natureza, pelas águas, ventos e terra, que é um respeito não racionalizado, completamente naturalizado nessas crianças. Além disso, há também uma concepção de xamã, de ligação com o espiritual e com as divindades.

A professora falou ainda sobre a questão do artesanato que é ensinado nas escolas para as crianças indígenas e praticado também como uma forma de sustento da tribo, através da venda desses artesanatos.

O mais interessante, no entanto, foi a discussão que se seguiu após a fala da conferencista, com questões que foram levantadas no momento do debate, algumas delas por indígenas lá presentes. Foi criticado o uso do termo “mentes selvagens” ao se referir aos indígenas, ao que a professora explicou que é um termo da antropologia e tem sim que ser criticado; foi falado sobre  o direito  do povo indígena de estar na universidade ao mesmo tempo que preservando sua individualidade, e a volta desse conhecimento adquirido para as tribos; falou-se da interdisciplinaridade nas escolas indígenas levando-se em consideração também suas especificidades, o ensino do artesanato etc.

O ponto principal, presente em quase todas as falas, foi sobre a falta de autonomia. Percebeu-se uma atmosfera geral do sentimento de falta de protagonismo, que é também um problema geral das minorias. Pode-se perceber a necessidade e vontade de retomada da fala, pois não são os índios falando sobre eles mesmos, mas sempre outra pessoa, branca, de fora da tribo, sem suas vivências e cultura (por mais que seja uma estudiosa ou estudioso delas) que fala por eles. A luta pela retomada do protagonismo, não só pelos indígenas mas por todas as outras minorias, é uma luta essencial no caminho de resistência e no caminho para as mudanças que desejamos em nossa sociedade.

Ligia Matni

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