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Desafios das publicações em humanidades são debatidos em conferência com editores

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Quantas são as publicações em humanidades, quais são elas e onde estão foram algumas questões formuladas durante a conferência “Desafios e Perspectivas para as Publicações nas Humanidades,” realizada dia 21 de julho durante a 69ª Reunião Anual da SPBC. Esta mesa, coordenada pela professora Sandra Lúcia Selles (UFF), atual diretora da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (Abrapec), reuniu editores de periódicos científicos da área.

O professor Sérgio Cirino (UFMG), coordenador do portal de periódicos da universidade, afirmou que a denominação ‘humanidades’ é extensa, cobrindo “as áreas de ciências humanas, ciências sociais e sociais aplicadas”. Além dessa abrangência, as publicações debatem-se com dificuldades que ele classificou como ‘domésticas’ e ‘gerais’. Uma questão geral de grande relevância é o desconhecimento da quantidade e  da localização das revistas, o que denota necessidade urgente de mapeamento. “A gestão do fluxo de informação e a real participação dos membros do conselho editorial são exemplos de questões domésticas ainda não equacionadas”, afirmou.

Cirino demonstrou que, segundo pesquisa realizada em 2013 pela Anped, 80% dos periódicos da área de Educação, por exemplo, são publicados nas regiões sul e sudeste do Brasil, “evidenciando a desigualdade sócio-econômica”. O docente afirmou que o desconhecimento a respeito do universo de publicações de humanidades dificulta a formulação de políticas de fomento e apoio editorial.

Ao concordar com o colega sobre a falta de apoio institucional à atividade de editoração, professora Rosária Justi (UFMG) expôs a situação específica da área de educação em Ciências, na qual é editora de publicação nacional e internacional. “Trata-se de uma área que se estruturou recentemente, a pouco mais de 20 anos, de modo que os pesquisadores ainda estão em fase de formação ou tem pouca experiência com publicações”, afirmou. Ela ressaltou, também, a necessidade da formação de pareceristas, pois a contribuição deles tem função formativa e de incremento das áreas de pesquisa.

Justi demonstrou preocupação com o plágio e o auto-plágio, segundo ela, “cada vez mais frequentes”. A exigência por produtividade, o acesso à tecnologia e até o desconhecimento de implicações éticas são, para ela, as razões pelas quais esses procedimentos vêm aumentando. “Esse fato só confirma a necessidade de revisores bem formados”, concluiu.

Isabel Martins, professora da UFRJ e editora da revista eletrônica Ciência em Tela, fez um relato de experiência sobre a publicação, que é dirigida aos professores da educação básica. “Reconhecer que o conhecimento em educação também é produzido na escola, e não somente nas universidades, é um deslocamento do olhar que tentamos exercitar”. A docente finalizou sua fala afirmando que “a pesquisa em Educação é relacional: os movimentos de investigação e de intervenção são complementares”.

Claudia Fonseca

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