Foto: Pedro Cabral

Inclusão é tema de conferência na SBPC

“Não existem alunos diferentes. Somos todos diferentes”. Foi com essa premissa que a professora Maria Teresa Mantoan (UNICAMP) abriu a conferência intitulada Educação Inclusiva, no dia 19 de julho, na 69ª Reunião Anual da SBPC, na UFMG. O evento foi mediado pela professora Roseli de Deus Lopes (USP) e contou também com a participação da advogada e militante do Movimento Down, Maria Antonia Goulart e da jornalista Anna Penido, do Instituto Inspirare. A conferência, que foi transmitida em libras e com audiodescrição, contou com a presença da secretária estadual de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo e do senador Lindemberg Farias (PT).

A professora Teresa Mantoan afirmou que o sistema educacional e os educadores, de maneira geral, ainda estão apegados à noção platônica de um aluno idealizado. “Temos que trabalhar com o aluno real. Ele é “aluno”, não é “’o’ aluno”, afirmou. E completou: “a diferença nos constitui, nossa identidade é inacabada, está sempre por se fazer”. A docente do programa de pós-graduação em Educação da UNICAMP, que é uma das maiores especialistas brasileiras em Inclusão e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (LEPED), explicou que “a escola boa é a escola para todos”. Ela defendeu que, por sermos todos singulares e, portanto, diferentes, não cabe usar o termo ‘especial’ para se referir àqueles que apresentam algum tipo de dificuldade escolar, nem tampouco propor atividades específicas ou facilitadas. “Esse é um problema muito sério: diferenciar para excluir. Toda vez que limitamos o direito de participação e de expressão do aluno, estamos excluindo, mesmo que seja com a melhor intenção”, concluiu Mantoan.

Professora Teresa Mantoan

Professora Teresa Mantoan fala sobre a importância de não diferenciar os alunos. Foto: Mauro Lucio

Segundo a professora, são inclusivas “as escolas cujas atividades são organizadas para toda a turma, sem adaptações de qualquer natureza, sem individualizações.” A inclusão não se dá no ensino, mas na aceitação e o reconhecimento, por parte da comunidade escolar, das respostas diferentes dos alunos ao processo ensino-aprendizagem “quanto mais for diferente a resposta do aluno, mais rico o ambiente escolar se tornará”.

A advogada e especialista em educação integral Maria Antonia Goulart, criadora do Movimento Down e mãe de uma menina Down de 5 anos, fez um depoimento sobre as dificuldades vividas pelos pais, desde os empecilhos para encontrar uma vaga para os filhos em escolas regulares até a padronização das metodologias e avaliações escolares. “O Movimento Down recebe mensagens de pais todos os dias, mas na época de matrícula esse contato se intensifica. Alguns pais chegam a visitar 30 escolas até matricular o filho” contou a advogada. Segundo Antonia Goulart, as escolas não podem, por lei, se negar a aceitar a criança, mas se dizem ‘despreparadas’ para a inclusão, desanimando os pais. Ela propõe, em contrapartida, a adoção do Desenho Universal da Aprendizagem, uma metodologia que contempla formas diversas de apresentação do conteúdo, bem como diferentes modos de avaliação escolar.

Ao fechar a mesa de conferência, a jornalista Anna Penido, do Instituto Inspirare defendeu a educação integral. “Todo aluno é único, mas muitas vezes o professor nem sabe o nome dele” declara Anna. O instituto no qual atua estuda metodologias inovadoras para o ensino básico.

Claudia Chaves Fonseca

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