Venceremos

Ódio ao PT, fake news e engajamento fascista

Luciano Mendes de Faria Filho

Apesar do medo e do desconsolo, os acontecimentos violentos dos últimos tempos, inclusive de ontem, e as primeiras iniciativas bolsonaristas, do discurso à convocação para que os estudantes filmem as aulas para denunciar @s professores, tudo isso mostra que a organização da resistência tem que ser rápida e imediata. Mas, isso não nos deve levar a considerar como perda de tempo um entendimento, o mais objetivo possível, sobre as eleições. Nesse sentido, dentre os múltiplos aspectos que marcaram o processo gostaria de ressaltar quatro:

O ódio contra o PT, devido a seus muitos erros, a seus grandes acertos e, sobretudo, um ódio cultivado sistematicamente pela mídia durante todos os dias do ano durante muitos anos. Entender esse fenômeno em profundidade é fundamental para organizarmos uma resistência que seja, também, propositiva. Da capacidade nossa e, sobretudo, do PT e, mesmo, de outros partidos de esquerda, tirarem consequências práticas disso, em termos de crítica interna e reorganização partidária, dependerá em parte o futuro da democracia no Brasil.

O engajamento institucional dos poderes e das instituições republicanas na eleição, tomando claramente o partido da candidatura de extrema direita. E não se trata apenas e tão somente do engajamento explícito da republiqueta de Curitiba, mas de um amplo e disseminado apoio de órgãos do executivo e do judiciário. O desfile militares em algumas cidades do Brasil ontem é, disso, uma pequena mostra.

A indústria de produção de mentira. Já disse há várias semanas que é impossível pensarmos em democracia baseada no voto (há outra possível em sociedades complexas como a nossa?) diante da produção em escala industrial e profissional de “fake news”. O efeito dessa indústria foi avassalador nessas eleições e o reconhecimento da vitória do Bolsonaro nas urnas não nos pode fazer esquecer que, em grande medida, a eleição baseada na disseminação em massa de notícias falas é uma fraude. Entender o fenômeno, tanto do ponto de vista de sua emissão quanto de sua recepção é um dos nossos grandes desafios para uma resistência propositiva.

O engajamento fascista. Estas eleições nos mostraram claramente que há uma parte expressiva da população brasileira que aceitou e potencializou as mensagens e as proposições fascistas com muita tranquilidade. Isto, que já estava ao nosso redor e se objetivava na falta de sensibilidade com a violência contra a juventude negra, a comunidade LGBTQI, a mulher, dentre outros e ganhou visibilidade e expressão política nacional com a candidatura do Bolsonaro. E, mais do que isso, parte expressiva da população aderiu à proposta de violência como política de Estado – liberar a polícia para matar, a apologia à ditadura e à tortura. Do mesmo modo, a regressão a uma moralidade religiosa medieval é uma parte importante desse cenário e vai nos constranger a defender e lutar pelos mais elementares direitos humanos em pleno século XXI. Entender como e porque as mensagens fascistas, nas suas mais diferenciadas formas, mobilizaram as pessoas a ponto de elas relativizarem tudo, inclusive sua própria vida e seus mais elementares direitos, é algo que temos que fazer.

Como dizia o Drummond em plena segunda guerra: a noite se abateu sobre nós, mas a aurora é inevitável! E precisamos nos preparar para passamos a noite e criarmos as melhores condições para a chegada do amanhecer.

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