Não podemos aceitar Bois de Piranha

Procurador Deltan Dallagnol. Foto: José Cruz/Agência Brasil                                                                   Ministro Sérgio Moro. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Pro Luciano Mendes de Faria Filho

Desde que começaram a aparecer os arquivos do #VazaJato, e diante da inequívoca ação criminosa e miliciana dos agentes públicos até aqui envolvidos, tenho a impressão de que parte significativa de nossas elites resolveu entregar Moro, Dellagnol e sua equipe como bois de piranha.

Apesar da resistência inicial de alguns dos órgãos da “grande imprensa”, ao logo da segunda feira parece ter ficado nítido para todos que não dá mais para estancar a podridão que sai dos porões da Lava Jato.

No entanto, praticamente não se fala que Moro e cia somente foram possíveis pela ação direta e consistente de grande parte da elite política, cultural, empresarial, judiciária, intelectual et caterva brasileira.

Moro e cia atuaram, sem dúvida, a favor de seus interesses pessoais e políticos. No entanto, jamais teriam ido tão longe não fosse a cobertura ampla, sistemática e espetacular que tiveram da “grande mídia” e do sistema judiciário e político, por exemplo. Ou seja, se não representassem parte significativa dos que estão, hoje, bem alojados nos poderes da República e no mundo empresarial, aí incluído o midiático, brasileiro.

Retirar Moro e cia de cena, mandá-los para a prisão, a bem da democracia e do Estado de Direito, é fundamental. Soltar Lula imediatamente, é questão de justiça. Mas não é suficiente.

É preciso romper o pacto criminoso, miliciano, antidemocrático e asqueroso que nos trouxe até aqui. Sem isso, ficaremos tão somente a espera de que outros Moros e Dellagnol apareçam para nos roubar a dignidade e tudo o mais que perdemos nos últimos anos de reinado da hipocrisia e da criminalidade oficial representadas pela operação Lava Jato.

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