Venceremos

Estratégias para combater o fascismo

Por Luciano Mendes

Ao longo da manhã dessa segunda-feira (08/10) aqui no México, tenho recebido, pelo Whatsapp e também pelo Facebook um conjunto muito expressivo de sugestões de como enfrentar, e vencer, o fascismo no segundo turno. A respeito disso, se fosse numa discussão fora da “minha bolha”, já estaria começando errado para algumas dessas sugestões: não adiantaria falar em fascismo…

Acho que são muitas e boas sugestões e concordo com a maioria. São produzidas por especialistas ou por gente com muita experiência em eleição, e devem ser levadas à sério. E vou levá-las, não tenham dúvida. Estamos numa disputa eleitoral e não numa disputa pela hegemonia moral, política e cultural de longo prazo (ainda que, para mim, este seja mais um momento de um longo processo histórico, como já expus anteriormente).

Boa parte das sugestões propõem, certamente com fundamento, que devemos deslocar o debate das questões morais e de costumes, para outras concretas como salário, condições de vida, propostas do adversário etc. A respeito disso, estou de pleno acordo, desde que não signifique arredar o pé um milímetro que seja da defesa intransigente contra o racismo, a homofobia, a violência e tudo o mais que o adversário defende. Minha dúvida é como fazer isso.

De outro lado, este final de semana tive uma experiência que me fez pensar de novo na ideia de política como política, mesmo que seja no interior de uma cruenta disputa eleitoral.

Nos dias que antecederam as manifestações de 29 de setembro, busquei no Facebook pessoas ou grupos que estivessem organizando alguma coisa no México. Não achei nenhum e passei o dia acompanhando o que ocorria no Brasil. E ao longo da semana, em todos os eventos virtuais de que participei, pedi a palavras e disse as razões do #EleNão. Pois bem, no sábado agora, dia 06, eu já antevendo o 2°, turno e não tendo encontrado parceir@s da luta aqui, criei no Face um grupo, o “@Brasileir@s no México contra o Fascismo” e o postei na minha página e em grupos de que participo. Não demorou muito e fui contactado pelo pessoal do Coletivo BrasilMéxico Contra o Golpe. É um grupo super atuante e que, ao contrário do que imaginei, organizou uma manifestação aqui no México no dia 29.

Ontem, domingo, parte desse grupo se reuniu para acompanhar a divulgação dos resultados das eleições. Foi em torno de um churrasco e me chamaram para ir. Fui e gostei muito. Muita gente intensa, preocupada, bem humorada, apesar de tudo. Muita diversidade de pensamento e de opinião. Um grupo político no sentido genuíno do termo!

Depois disso tudo e de ler e ouvir muitas avaliações do que está acontecendo e sobre o que devemos fazer, fiquei pensando comigo, a partir de minha experiência e do que penso sobre política, que uma dimensão fundamental que temos que resgatar, se queremos ganhar as eleições e, sobretudo, se queremos combater o fascismo, pois é disso que se trata mesmo, é reafirmar (ou resgatar) a ideia de que política supõe coletivos.

As redes sociais e os termos e tempos neoliberais nos seduzem com a ideia de que é possível fazer política individualmente ou, o que é quase o mesmo, em nossa bolha. Isso é o fim da política e uma das condições de emergência da neofascismo. Então, se há uma dica que me parece fundamental é essa: vamos fortalecer e criar coletivos que nos fortalecerão e fortaleçam a luta contra o domínio do medo e a favor das mais variadas formas de fascismos.

Ps: Sobre as estratégias: todo mundo fala que é preciso levar em conta que quem votou em Bolsonaro não necessariamente pensa como ele. E que é preciso conversar com essas pessoas e ouví-las sobre suas razões e pensar-com-elas (não como elas!). Acho que são boas dicas. Mas acho também que é preciso pensar estratégias de combater no wathsapp também. E nele, acho, que ganharam a primeira batalha da disputa (que, é claro, se deu num terreno preparado há anos pelas mídias e grupos golpistas e, em muitos casos, fascistas).

 

Crédito da Imagem: Luciano Mendes de Faria Filho

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