Combater o Obscurantismo II – rumo a um/a intelectual coletivo em educação.

 

Por Luciano Mendes de Faria Filho

Ontem eu publiquei, no meu FaceBook, o texto Combater o Obscurantismo – que “compartilho” novamente abaixo – em que defendo a necessidade de construirmos um/a “intelectual coletivo” em educação e algumas colegas – Katya Francisco, Ana Paula Melo e Zena Ffo – me perguntaram “quando” e “onde” começamos. Pois bem, a partir de minha experiência como professor e pesquisador da área de educação e, sobretudo, na coordenação do projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil, ousaria sugerir algumas pistas.

Parto do pressuposto de que nosso problema não é produzir conhecimento em educação e, muito menos, divulgá-lo entre os “pares”. Existem no Brasil centenas de revistas acadêmicas em educação, assim como temos um número razoável de editoras que publicam com regularidade sobre a área. Ou seja, não apenas fazemos muitas pesquisas e conhecemos muito sobre a educação no país como temos canais acadêmicos – revistas e editoras acadêmicas – em que essa produção é divulgada.

No entanto, a comunidade acadêmica da educação tem poucos – aliás, pouquíssimos – canais de divulgação dos resultados de suas pesquisas para a população e, mesmo, para noss@s colegas da educação básica: praticamente não há jornais especializados em educação e as revistas de divulgação que existem, com raras exceções, são de empresas privadas.

Há, felizmente, uma crescente sensibilização de muit@s pesquisadores(as) para esta questão. Daí a proliferação, nos últimos anos, de blogs e páginas pessoais sobre o assunto. No entanto, de um modo geral, falta a estas iniciativas sistematicidade em suas publicações que estão a depender, quase sempre, do “tempo vago” dos seus autores e autoras.

Penso, então, que algumas iniciativas que poderíamos tomar seria, primeiro, dedicar mais tempo à necessária divulgação “não acadêmica” de nossas pesquisas; segundo, construir redes interligando as experiências de divulgação que hoje já existem; e, terceiro, atuando dentro de nossas instituições científicas para que elas criem e apoiem iniciativas de divulgação das pesquisas em educação para @s docentes da educação básica e para o público não especializado.

Somos a maior comunidade de pesquisa dentro do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia – são dezenas de milhares de pesquisadores/as e alun@s em centenas de Programas de Pós Graduação. É preciso fazer, penso, com que nossas pesquisas estejam mais acessíveis aos círculos não especializados. E essa é uma tarefa urgente!

PS1) Não desconheço que há um número grande, muito grande, de sites, blogs e outras iniciativas de discussão da educação no mundo virtual. No entanto, são poucas, muito poucas, que são mantidas/realizadas por pessoas que realizam pesquisa em educação.

PS2) Uma tarefa urgente para nossa comunidade de pesquisa é, inclusive, a realização de pesquisas sobre a “divulgação” científica em educação.

Texto do Facebook:

COMBATER O OBSCURANTISMO!

Em tempos como os que estamos vivendo, cabe à educação e, sobretudo, às universidades, esclarecer. Mesmo sabendo, pelo menos desde Freud, dos limites da razão como guia de nossas ações e práticas, não nos é dado o direito de abrir mão conhecimento, do esclarecimento, como uma dimensão fundamental de qualquer projeto de construção de um mundo mais democrático e mais igualitário.

No Brasil, as universidades, sobretudo as públicas, são responsáveis pela produção de mais de 90% do conhecimento em praticamente todas as áreas que afetam a vida no planeta. No campo da educação, a situação não é diferente: a maior parte do conhecimento sobre educação é produzida nos Programas de Pós Graduação em Educação existentes no país.

Temos, hoje, por exemplo, um acúmulo muito significativo de conhecimento sobre praticamente todas as dimensões e níveis da educação pública. No entanto, tais conhecimentos são desconsiderados no estabelecimento das políticas para a área e, em muitos casos, não são de conhecimento d@s profissionais que atuam na escola. Algumas vezes, como temos assistido nos últimos tempos, os conhecimentos acumulados pelas e nas universidades são, na verdade, combatidos pelas políticas obscurantistas que têm assolado o país.

Contra este estado de coisas, não há outra saída do que continuar “esclarecendo”, e ao mesmo tempo, se deixando “esclarecer” pelos diversos outros sujeitos que, no mundo social, querem também a construção de um mundo mais democrático e igualitário.

Nesta perspectiva, penso que uma das formas de combater as atuais políticas obscurantistas que assolam o país, é a construção de ESTRATÉGIAS COLETIVAS de comunicação dos conhecimentos produzidos,seja pelas universidades, seja pelos movimentos sociais, sobre as escolas e seus sujeitos, em todas as suas dimensões. A constituição desse INTELECTUAL COLETIVO, DIVERSO E COMBATIVO, é um de nossos desafios mais prementes. Felizmente, para isso, já temos construído muitas e boas condições. É preciso, agora, aproveitá-las!!!

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