A dissolução do Brasil e o imperialismo internacional.

(IN)CONTINÊNCIA. Vitor Teixeira

 

Por Luciano Mendes de Faria Filho

Ontem li uma mensagem de uma colega dizendo que “o Brasil está se dissolvendo”. No mesmo dia, leio uma manchete que informa que as tropas dos EUA já cercaram a Venezuela e, outra, que informa  que a crítica alemã não teria gostado do filme Marighela porque estaria mitificando um guerrilheiro.

Tudo isso me faz pensar a respeito dos inúmeros erros cometidos pelas esquerdas brasileiras nos últimos anos e, especialmente, pelos governos petistas. Estes, somados à ojeriza que a burguesia e parte das camadas médias do país têm à população indígena, negra e pobre e a qualquer movimento pela diminuição das desigualdades que tanto nos marcam, e, finalmente, unidos aos medos e fantasmas – boa parte de fundo religioso – que nossa população mais pobre tem do “comunismo” e dos “vermelhos”, nos ajudam a entender a eleição de uma verdadeira quadrilha para dirigir o país, a qual se propõe, fundamentalmente, a nos entregar de bandeja ao grande capital internacional.

Mas o que li ontem me faz relembrar também que, em boa medida, o investimento contra o Brasil não se faz unicamente desde o interior de nossas fronteiras e reflete, em boa parte, os acertos da administração petista e a pujança de algumas de nossas instituições e empresas, como a Petrobras e o Banco do Brasil. Seria muita ingenuidade nossa imaginar que com as reservas de petróleo que a Petrobras descobriu e o crescente protagonismo e liderança regional e internacional do Brasil – lembremo-nos dos BRICS -, as forças imperialistas dariam de barato e aceitariam um “novo sócio” no concerto das nações em condições menos desiguais do que aquelas que os EUA e a Europa sempre pensaram para nós, os “terceiros e quarto mundos”.

A pergunta que me faço é se, considerado a forma de organização e acumulação do capitalismo atual, caso os bolsomions não fizessem a estupidez de eleger um boçal e submisso Presidente da República como o Bolsonaro, se não estaríamos, muito em breve, na mesma situação atual da Venezuela, ou seja, na iminência de sermos invadidos em razão de nossas reservas minerais. Isso porque só uma pessoa sem noção nenhuma, ou com grande alinhamento no aos interesses capitalistas, pode acreditar que o cerco dos EUA à Venezuela guarda alguma relação com um suposto ou real autoritarismo de Maduro. Logo os EUA, que financiaram, e continuam financiando, ditaduras no mundo todo vêm se preocupar com democracia na Venezuela?

O pior, em nosso cotidiano, é que essa ação imperialista internacional pela espoliação das nossas riquezas nos obrigam a conviver com crimes como o de Mariana e Brumadinho* e com a desfaçatez das autoridades públicas que, longe de defender as vítimas, preferem tomar o partido de nossos algozes. Mas não apenas isso: o conjunto das reformas propostas pelos medíocres ministros e ministras como Moro, Velez e Damares, tendem a aprofundar a violência e as nossas já vergonhosas desigualdades.

Sim, o Brasil parece estar se dissolvendo. E, desgraçadamente, a maior oposição ao governo que nos conduz para o matadouro vem justamente de seus aliados. Onde isso vai nos  levar, ainda é cedo para dizer e vai depender certamente de uma organizada oposição à esquerda e dos movimentos sociais democráticos. Até lá, continuaremos assistindo, bestializados, aos almoços dantescos dos discípulos do astrólogo Olavo de Carvalho?

Sei que há muita oposição organizada ou em curso de organização, mas a velocidade e contundência de nossas forças não parecem suficientes para fazermos frente ao descalabro que se nos apresenta. E muitos de nós parecem estar se dissolvendo também e este é, hoje, o primeiro de nossos desafios.

* Falar de crimes de Mariana e Brumadinho ajuda na imediata identificação sobre o que se fala, mas esconde que as tragédias são muito maiores do que as ocorridas nas duas cidades. A lama da Vale, que matou centenas de pessoas, que acabou com o Rio Doce, que aniquilou o Paraopeba, daqui a pouco chega ao Rio São Francisco.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *