O Ministro Da Educação, Abraham Weintraub, Durante  Apresentação Do "Compromisso Nacional Pela Educação Básica".

FORA WEINTRAUB!

EDITORIAL Nº262, 22 DE NOVEMBRO DE 2019

Em alguns dos seus discursos, o Presidente Jair Bolsonaro disse que o seu governo não veio construir nada, mas destruir tudo. E, de fato, não se pode dizer, infelizmente, que ele estava mentindo: diuturnamente, as práticas de destruição têm sido a tônica de seu governo.

No entanto, as práticas de destruição do governo Bolsonaro, desde 1º de janeiro, não são inocentes e, muito menos, aleatórias. Elas têm como alvo os direitos das populações mais pobres e vulneráveis e as condições, mínimas que sejam, de construir, aqui, um país menos desigual, mais democrático e mais independente das estruturas do capitalismo global.

O nosso problema é maior porque, não bastasse a insanidade de um Presidente absolutamente despreparado intelectual e moralmente para o cargo que ocupa, Bolsonaro é apoiado, dentro e fora do governo, por um conjunto de funcionários e aliados ineptos para a direção do Estado e inaptos para a convivência democrática.

Dentre os casos mais notórios de indigência intelectual, autoritarismo e descaso absoluto com as regras de conivência democrática e com as “liturgias” do cargo que ocupa está, sem dúvida, o Ministro da Educação Abraham Weintraub.

Desde que assumiu o cargo, em 09 de abril deste ano, Abraham Weintraub vem dando sucessivas mostras de absoluto despreparo técnico e intelectual para o cargo, aliado a um desmedido e assumido desapreço pelas instituições públicas de ensino, notadamente as universidades e institutos federais, instituições às quais não se sente nem um pouco constrangido de atacar politicamente e asfixiar financeiramente.

No entanto, a inépcia de Abraham Weintraub para o cargo de Ministro da Educação não transparece apenas em seu ódio e em seu ressentimento contra as universidades federais e instituições de pesquisa. Ela se materializa em um discurso homofóbico, racista, machista e fundamentalista dirigido a todos e a todas que questionam seus métodos de ação e os fundamentos de seu comportamento como figura pública e Ministro de Estado.

A um Ministro de Estado, sobretudo ocupando a pasta da Educação, não é aceitável práticas anti republicanas e avessas aos direitos humanos e as regras elementares de convivência social. Não se pode aceitar, como razoáveis, a mentira e a agressão como forma de governo e como meios de estabelecer relações com os cidadãos e as cidadãs do país.

Não podemos mais tolerar que, mesmo num governo eleito num processo eleitoral eivado de questionamentos políticos e jurídicos, o Ministério da Educação seja ocupado por uma pessoa que, mais de uma vez, demonstrou ser absolutamente avesso às instituições públicas de educação e, tão grave quanto isto, às regras elementares da convivência civilizada.  Diante de tudo isso, e endossando as vozes as mais diversas, não nos resta outra saída, do ponto de vista ético e político, do que propor, alto e solenemente: FORA WEINTRAUB!