Pós Graduação e Educação Básica

O novo modelo de avaliação da Pós Graduação e a Educação Básica

Editorial da edição 192 do Jornal Pensar a Educação em Pauta

Um assunto que está movimentando a comunidade acadêmica nos últimos meses é a proposição feita pela CAPES de elaboração um novo modelo de avaliação dos programas de pós-graduação do país. Para isso, já foram nomeadas comissões e já foram feitas consultas a algumas instituições científicas e órgãos de Estado. As discussões estão em pleno andamento e, dado a centralidade da avaliação na atual política de pós-graduação, propor a sua remodelação é propor, de fato, um novo formato para os programas.

O atual modelo de avaliação vinha, há anos, sofrendo críticas de professores e instituições, notadamente das ciências humanas e sociais, por ser por demais engessado, dar excessiva primazia às publicações em revistas e, dentre outros, descuidar da relação da pós graduação com a escola básica. Isso para as humanidades e, sobretudo, para a área educação, é um desastre, sobretudo porque boa parte dos(as) alunos(as) dos mestrados e doutorados em educação são professores(as) da escola básica.

Assim, esse movimento, por mais que pareça alheio à educação básica, incide, em muitos aspectos sobre a relação entre a pós graduação e a educação infantil, o ensino fundamental e médio. E isso, por vários motivos. Primeiro, como já se disse, muitos dos(as) alunos(as) da pós graduação são professores(as) desses níveis de ensino. Em segundo lugar, porque boa parte das pesquisas realizadas sobre ou com a escola básica, é conduzida pelos programas de pós-graduação, seus(suas) alunos(as) e professores(as). Em terceiro lugar, porque é a oportunidade de fazer com que o novo modelo respeite e valorize a ação político-pedagógica dos Programas de Pós-Graduação junto às escolas do país. E, por último, mas não menos importante, porque a mesma CAPES que estabelece as regras para a avaliação da pós graduação no país, é responsável pela política federal (nacional) de formação de professores(as) para a educação básica.

É preciso, pois, que as instituições de pesquisa e pós-graduação que se interessam pelo tema da formação de professores e pelas pesquisas na escola básica e com os(as) professores(as) que ali atuam, participem ativamente desse processo. Caso contrário o processoserá conduzido tão somente por aqueles grupos e instituições que só recentemente se deram conta da importância da educação básica para o “desenvolvimento científico e tecnológico” do país e que, portanto, conhecem pouco, muito pouco, de como funcionam as escolas e como pensam e fazem seus professores e suas professoras.

É de se esperar da CAPES e, sobretudo, da Comissão Responsável pela elaboração do novo modelo de avaliação, que se disponha a conversar com as instituições que ao longo de décadas acumularam conhecimentos e experiências sobre a relação entre a pós-graduação e a escola básica brasileira. Mas isso não basta. O ideal é que sejam ouvidas também as instituições de representação dos(as) professores(as), notadamente seus sindicatos, para saber o que pensam sobre o assunto e que sugestões apresentam para melhorar a pós-graduação no país.

Sabemos que o governo golpista que conduz a educação no país não se dispõe a conversar com os professores e, muitas vezes, nem com os pesquisadores e as pesquisadoras da educação. Prefere conversar com grupos reacionários como a CNI, o Movimento Escola Sem Partido e o MBL. No entanto, considerando que esse processo de remodelação da pós graduação é conduzido por pesquisadores e pesquisadoras que gozam de grande respeito e prestígio na comunidade acadêmica, espera-se que tenham independência para agir e pensar fora das amarras interpostas pelo governo de plantão. Espera-se, pois, que no quesito da relação da pós-graduação com a escola básica não se esqueçam de conversar com os(as) professores(as) da escola básica e suas instituições de representação.