Memórias De Ontem, Histórias De Hoje: Tecendo As Tramas Da Educação

Memórias de ontem, histórias de hoje: tecendo as tramas da educação

Por entrememórias, desejo-vos falar do agora. Esse agora tão fugaz quanto sua própria enunciação. Falo-vos do hoje, para que essa memória não se perca, para que teçamos juntos nossa própria história da educação.

Ser professora de Educação Infantil é algo repleto de desafios, pois, suas práticas educacionais rompem com o modelo tradicional da educação, trazendo outras reflexões mais profundas de como se deve trabalhar com crianças pequenas. Um dos grandes desafios como professora é entender e legitimar que o cuidar está diretamente relacionado com a prática pedagógica, mas, não esta prática que é realizada nas escolas das séries iniciais no qual o modelo escolarizado impera, o ensino infantil é dotado de características diferenciadas para a formação do indivíduo que estão longe do caráter mecanizado.

A Educação Infantil atende crianças dos 4 meses aos 5 anos de idade a partir disso pode-se concluir que a abordagem é totalmente diferenciada do modelo tradicional que apesar dos anos continuam sendo realizados pelas escolas do país, as ações nesta etapa como trocar fraldas, dar comida na boca e carregar no colo são exemplos de como o desafio de nós professoras está além da técnica. Se antigamente crianças eram vestidas e consideradas com adultos em miniatura, hoje o respeito a esta fase da vida deve ser seguido em toda sua plenitude.

Quando trabalhamos com crianças pequenas as práticas pedagógicas estão totalmente envolvidas com o cuidar. Muitas das vezes o ato de trocar fraldas é delegado para uma auxiliar que atua dentro de sala ajudando a professora, isso ocorre porque geralmente as professoras não querem trocar fraldas com o velho argumento de que não estudaram tanto para exercer esta função.Por que o cuidar entre os profissionais da educação ainda é visto como uma prática menos importante em sala de aula? O ato de dar banho e trocar faldas de uma criança é um momento de tamanha riqueza, é uma oportunidade de estabelecer aprendizados. Quando conversamos com um bebê, por exemplo, desenvolvemos sua oralidade, quando trocamos sua fralda, damos banho e vestimos sua roupa é uma forma de oportunizar a criança a conhecer os membros do corpo, além de relação de confiança que a ajuda a se desenvolver mais cognitivamente.

O abandono do modelo tradicional nesta etapa é um desafio para os professores, pensarem em outras formas de desenvolvimento e aprendizado do individuo que não está relacionado com o modelo escolarizado. Romper com o passado e pensar nas praticas atuais vai além do querer, é necessária a legitimação de todos os profissionais da educação para a construção de um ensino infantil mais adequado e que atenda suas particularidades.

E que alguém conte essa história, que por ora tecemos.

*Simone Santos Dias é Pedagoga, Agente de Serviço escolar e graduanda em Ciências do Estado. Contato: simonecarvalho25@yahoo.com.br